Suspeito nega participação na morte de três jovens do morro da Providência
da Agência Brasil
da Folha Online
Preso na manhã desta sexta-feira sob acusação na morte de três jovens no morro da Providência, em 14 de junho deste ano, Edson de Oliveira Paiva, conhecido como Chaperó, negou envolvimento no crime.
Segundo o delegado Rodolfo Waldeck, da 6ª DP (Cidade Nova), Paiva admitiu ter presenciado a entrega dos jovens pelos militares do Exército, mas negou ter participado da tortura e do assassinato das vítimas. O delegado afirmou que a participação do suspeito foi apontada por testemunhas, em depoimentos.
Paiva atuava como uma espécie de chefe de plantão na hierarquia do tráfico que domina o morro da Mineira --onde os jovens foram mortos--, rival do grupo do morro da Providência --onde os rapazes moravam.
"Presentinho"
No dia 14 de junho, Wellington Gonzaga Ferreira, 19, David Wilson da Silva, 24, e Marcos Paulo Campos, 17, foram detidos por militares no alto do morro da Providência por desacato e entregues a traficantes do morro da Mineira, ligados à facção criminosa ADA (Amigos dos Amigos), rival ao CV (Comando Vermelho), que controla o tráfico na Providência.
Os militares levaram os jovens para o quartel do Exército próximo à Providência, mas o capitão Leandro Ferrari, que comandava o quartel no momento, ordenou que os rapazes fossem liberados. No entanto, o tenente Vinícius Ghidetti, que havia levado os jovens ao quartel, desobedeceu a ordem e, com outros dez militares, entregou aos traficantes da Mineira os rapazes, que apareceram mortos no dia seguinte em um aterro sanitário. Os 11 militares foram presos no dia seguinte e, segundo a polícia, confessaram o crime.
De acordo com o delegado Rodolfo Waldeck, Paiva confirmou que os militares teriam dito que trouxeram "um presentinho" para os traficantes. O chefe da Polícia Civil, Gilberto Ribeiro, disse que a investigação é consistente e que a polícia planeja com cuidado uma operação para prender outros suspeitos, já identificados.
De acordo com o preso, não houve contato prévio com os militares nem pagamento pela entrega dos jovens aos traficantes do morro rival.
Crise
O Exército começou a ocupar o morro da Providência em dezembro de 2007, e caso abriu uma crise sobre a presença do Exército na Providência.
A Justiça Federal determinou a retirada dos militares do morro, e o governo federal recorreu e conseguiu que a Justiça mantivesse as tropas, mas somente na rua onde as obras são feitas. No dia 24 de junho, porém, a Justiça Eleitoral determinou a paralisação das obras, alegando caráter eleitoral no projeto, e, com isso, o ministro Nelson Jobim (Defesa) anunciou que o Exército também deixaria totalmente o morro.
Depois das mortes, surgiram denúncias de que os militares estariam exercendo funções de Segurança Pública e abusos de poder.
Traficantes do morro da Mineira suspeitos de terem matado os três jovens ainda não foram presos. Dos 11 militares, três foram soltos por determinação da Justiça, e oito permanecem presos no Batalhão de Polícia do Exército, na Tijuca (zona norte do Rio).
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