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Cotidiano
21/07/2008 - 11h25

PMs acusados por moradores de matar motoboy no Rio são afastados das ruas

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LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio

Os quatro policiais militares acusados por moradores do morro Azul, no Flamengo (zona sul do Rio), de ter matado o motoboy Edson Vaz do Nascimento, 36, foram afastados nesta segunda-feira de suas funções nas ruas. Eles são mantidos no 2º Batalhão de Polícia Militar (Botafogo), onde são lotados, informou a corporação.

O motoboy, morador do morro, morreu na noite de sábado (19) e, logo após o crime, moradores da favela depredaram bancos e lixeiras, queimaram pneus, móveis e barracas em ruas do bairro do Flamengo, onde fica a comunidade. A rua Marquês de Abrantes, uma das principais do bairro, chegou a ser interditada pelos moradores, de acordo com a Polícia Militar.

Nesta segunda-feira, a Polícia Civil informou que iniciou a perícia das armas dos quatro policiais, identificados como Marcelo Chiganer, Márcio Alexandre Alves, Leandro de Souza e Cristiano Lima. A delegada Sânia Cardoso, da 9ª Delegacia de Polícia (Catete), que investiga o caso, disse que a perícia poderá dizer se os tiros partiram mesmo dos policiais.

Em depoimento prestado à delegada no domingo (20), os PMs negaram ter atirado contra Nascimento e afirmaram já ter encontrado o motoboy morto após ouvir tiros vindos do morro Azul, segundo a 9ª DP. Enquanto o caso é investigado, a Polícia Militar disse que decidiu afastá-los das ruas e mantê-los em funções administrativas no batalhão de Botafogo.

A mulher de Nascimento, Alessandra do Nascimento, 25, prestará depoimento à polícia nesta segunda-feira, afirma a delegada. Cardoso disse que também tentará ouvir outros moradores da favela que participaram do protesto.

"Tenho que ouvi-los porque ainda é muito prematuro para concluir qualquer coisa. São muitas versões", disse.

As armas dos policiais estão no ICCE (Instituto de Criminalística Carlos Éboli) para perícia. O resultado será comparado às marcas de tiros no corpo do Nascimento, cujo tipo de bala será apontado em laudo do IML (Instituto Médico Legal). O exame, segundo a delegada, deve sair ainda nesta semana.

 

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