Polícia faz megaoperação no Rio em busca de assassinos de jovens da Providência
Colaboração para a Folha Online, no Rio
Cerca de 200 policiais civis fazem uma operação nesta terça-feira no complexo de São Carlos, conjunto de morros na região central do Rio, em busca de traficantes supostamente envolvidos na morte dos três jovens do morro da Providência (centro do Rio). Os rapazes foram entregues a criminosos por militares, em 14 de junho último.
Segundo a Polícia Civil, há cerca de 60 mandados de prisão para serem cumpridos na operação. Ainda não há informações sobre presos ou registro de tiroteios. Cinco motos supostamente roubadas foram apreendidas, de acordo com a polícia.
A Polícia Civil está também no morro da Mineira, onde os jovens da Providência foram entregues pelos militares. Na semana passada, policiais fizeram a primeira prisão de um suspeito de envolvimento na morte dos jovens. O suposto traficante Edson de Oliveira Paiva, conhecido como Chaperó, negou ter participado do crime.
Participam da operação desta terça policiais da DCOD (Delegacia de Combate às Drogas), DFRA (Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis) e da 6ª Delegacia de Polícia (Central), que investiga o assassino dos jovens.
O crime
No dia 14 de junho, Wellington Gonzaga Ferreira, 19, David Wilson da Silva, 24, e Marcos Paulo Campos, 17, foram detidos pelos 11 militares no alto do morro da Providência por desacato e entregues a traficantes do morro da Mineira (centro do Rio), ligados à facção criminosa ADA (Amigos dos Amigos), rival ao CV (Comando Vermelho), que controla o tráfico na Providência. O Exército começou a ocupar o morro da Providência em dezembro de 2007, mas saiu no último dia 25 por ordem da Justiça, depois da morte dos jovens e de denúncias de que os militares estariam exercendo funções de Segurança Pública e abusos de poder.
Os militares levaram os jovens para o quartel do Exército próximo à Providência, mas o capitão Leandro Ferrari, que comandava o quartel no momento, ordenou que os rapazes fossem liberados. No entanto, o tenente Ghidetti, que havia levado os jovens ao quartel, desobedeceu a ordem e, com outros dez militares, entregou aos traficantes da Mineira os rapazes, que apareceram mortos no dia seguinte em um aterro sanitário. Os 11 militares foram presos no dia seguinte e, segundo a polícia, confessaram o crime.
O caso abriu uma crise sobre a presença do Exército na comunidade. A Justiça Federal determinou a retirada dos militares do morro, e o governo federal recorreu e conseguiu que a Justiça mantivesse as tropas, mas somente na rua onde as obras são feitas. No dia 24 de junho, porém, a Justiça Eleitoral determinou a paralisação das obras, alegando caráter eleitoral no projeto, e, com isso, o ministro Nelson Jobim (Defesa) anunciou que o Exército também deixaria totalmente o morro.
Dos 11 militares, três foram soltos por determinação da Justiça, e oito permanecem presos no Batalhão de Polícia do Exército, na Tijuca (zona norte do Rio).
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