Para Beltrame, prisão de deputado foi golpe duro em milícia
LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio
A prisão do deputado Natalino Guimarães (DEM) foi um "duro golpe" para as atividades da Liga da Justiça, uma das principais milícias do Rio, disse nesta terça-feira o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame. A casa de Guimarães, onde ele e outras cinco pessoas foram presas em flagrante nesta madrugada, funcionava como o "quartel-general" do grupo, de acordo com as investigações da 35ª Delegacia de Polícia (Central).
Era lá que os líderes da milícia faziam reuniões para planejar crimes como assassinatos e ainda discutir o andamento das atividades comerciais comandadas pelo grupo --instalação de TV a cabo ilegal, venda ilícita e superfaturada de gás de cozinha e transporte irregular--, segundo a 35ª DP.
Essas reuniões foram descobertas pelas investigações da delegacia há dois meses e, desde então, a prisão do deputado vinha sendo planejada, segundo o delegado Marcus Neves, que conduz as investigações. "Estávamos só esperando a melhor ocasião".
Às 23h de segunda-feira (21), quando ocorria uma das reuniões, segundo Neves, cerca de cem policiais cercaram a casa e esperariam até esta manhã para prender as 13 pessoas que participavam do encontro. Mas um olheiro descobriu os policiais e houve tiroteio, disse Neves, que comandou a operação.
Apenas uma pessoa, Fábio Pereira de Oliveira, o Fabinho Gordo, foi ferida, com um tiro na mão. Sete membros do grupo conseguiram fugir e outras cinco --o deputado Natalino Guimarães, os policiais militares Rogério Alves de Carvalho e Ivilson de Lima, o agente penitenciário Vagner Resende de Miranda e o assessor de Natalino Júlio Pereira da Costa-- foram presos em flagrante por tentativa de homicídio (dos policiais, já que houve troca de tiros), formação de quadrilha, porte ilegal de armas e favorecimento pessoal (por suspeita de planejarem ações de extorsão).
Natalino está no presídio de Bangu 8 e os outros quatro presos e Fabinho Gordo foram levados para a Polinter, segundo a Polícia Civil.
Com as prisões, Beltrame disse acreditar que as ocupações mais altas na hierarquia da milícia Liga da Justiça foram desfeitas. O delegado Marcus Neves afirmou, no entanto, que o grupo, assim como o tráfico de drogas, se renova constantemente. "Essas prisões já trouxeram prejuízo muito grande, mas eles certamente terão substitutos então temos que continuar investigando".
De acordo com Neves, o comando do grupo --Natalino, seu irmão Jerônimo Guimarães, o vereador Jerominho, preso ano passado, e o filho de Jerominho Luciano Guimarães, que está foragido-- tem o apoio de 43 policiais que, segundo o delegado, fazem o elo com a base da milícia, que são os "funcionários" das atividades ilegais do grupo. Essa base, porém, não é vista pela polícia como criminosa.
"Eles não praticam crimes, embora mantenham a milícia", disse Neves.
Beltrame afirmou que, desde janeiro de 2007, a secretaria já afastou 70 policiais civis e militares --de um total de 350 expulsos-- por terem envolvimento com milícias no Rio.
O deputado Natalino Guimarães já foi denunciado ao Ministério Público e, se a Justiça acatar as acusações da polícia, pode pegar mais de 20 anos de prisão, segundo o delegado. Nesta quarta-feira (23) contudo, a Comissão de Constituição e Justiça da Alerj (Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) se reunirá para avaliar a prisão em flagrante do deputado. Por lei, a Alerj tem a prerrogativa de mandar soltar deputados estaduais do Rio presos em flagrante, se julgar que a prisão foi irregular. Foi isso que aconteceu com o deputado estadual Álvaro Lins (PMDB), preso em flagrante no dia 29 de maio pela Polícia Federal e solto pela Alerj dois dias depois.
Após ser preso, o deputado negou as acusações e alegou estar sendo vítima de perseguição política. "Estou sendo vítima de uma covardia. É uma perseguição política".
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