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Cotidiano
23/07/2008 - 17h18

Alerj decide em agosto se deputado acusado de chefiar milícia deve ser solto

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LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio

A Alerj (Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) informou nesta quarta-feira que só vai decidir se manda ou não soltar o deputado Natalino Guimarães (DEM) em agosto, após o recesso parlamentar. O deputado, acusado de chefiar uma das maiores milícias do Rio, foi preso em flagrante na madrugada de terça (22), mas, por lei, pode ser solto se a Alerj julgar que a prisão é inconstitucional.

Os deputados decidiram hoje adiar a decisão porque a Alerj está em recesso. Eles se reuniram para discutir a possibilidade de votar, em sessão extraordinária, a libertação ou não de Guimarães. Os deputados que integram a Comissão de Constituição e Justiça da Alerj, contudo, disseram que vão esperar a volta das sessões plenárias ordinárias, no início de agosto, para fazer a votação.

Com isso, o deputado Natalino Guimarães ficará preso por pelo menos mais 13 dias. O advogado Esio Neves disse que não vai pedir habeas corpus do deputado à Justiça porque "não cabe". "A Alerj é quem tem que decidir", disse.

Natalino Guimarães foi preso na madrugada em flagrante em casa, durante suposta reunião da milícia Liga da Justiça, cujos chefes, segundo a polícia, são o deputado e seu irmão Jerônimo Guimarães, o vereador Jerominho (PMDB). Jerominho está preso desde o fim do ano passado, por suposto envolvimento com o grupo criminoso.

Com informações de que a casa de Guimarães, em Campo Grande (zona oeste do Rio), era uma espécie de quartel-general da Liga da Justiça, policiais civis cercaram o local na noite de anteontem ao saberem da suposta reunião do grupo. Mas os policiais foram vistos por membros da milícia e iniciaram uma troca de tiros com pessoas que estavam dentro da casa do deputado, segundo o delegado da 35ª Delegacia de Polícia (Campo Grande), Marcus Neves, que comandou a operação.

O deputado Natalino Guimarães e outros cinco homens que integrariam a milícia foram presos em flagrante por tentativa de homicídio (dos policiais, já que houve troca de tiros), formação de quadrilha, porte ilegal de armas e favorecimento pessoal (por suspeita de planejarem ações de extorsão).

Audiência

Nesta quarta-feira, Guimarães participou de audiência na Seção Criminal do Tribunal de Justiça sobre processo no qual é julgado, junto de Jerominho, por formação de quadrilha. O processo é anterior à prisão do deputado.

Na sessão, o deputado pediu licença do depoimento por conta da prisão e apenas assistiu a testemunhas de defesa falarem ao juiz Paulo Cesar Vieira de Carvalho Filho. A audiência também ouviu o depoimento de Fábio Pereira de Oliveira, o Fabinho Gordo, um dos presos ontem com Guimarães e apontado pela polícia como um dos seguranças do deputado.

Chorando, Fabinho Gordo negou trabalhar para Guimarães e ter envolvimento em grupo criminoso. Alegou que, "ao contrário, ele [Natalino Guimarães] sempre dizia para a gente fazer o bem". O delegado Marcus Neves disse que Fabinho Gordo, assim como os outros seguranças de Guimarães, cometiam crimes como assassinato a mando do deputado. Ele negou.

Apesar de não ter prestado depoimento, o deputado Natalino Guimarães voltou a alegar inocência na sessão e se disse vítima de uma armação. Ao encontrar a mulher, Vera Guimarães, a abraçou e pediu que ela dissesse à imprensa "que o seu marido é inocente", o que foi repetido por ela.

 

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