Moradores de rua protocolam representação contra a prefeitura de SP
Colaboração para a Folha Online
Moradores de rua protocolaram nesta segunda-feira, no Ministério Público Estadual, uma representação contra a Prefeitura de São Paulo. Segundo Anderson Lopes, representante dos moradores de rua, o documento pedirá "o fim da violência e a melhoria das políticas públicas".
A prefeitura afirmou, por meio de sua assessoria, que irá aguardar o recebimento da representação para comentá-la.
Uma reunião com a promotoria aconteceu horas após um protesto contra os maltratos recebidos por moradores de rua no centro de São Paulo. A manifestação, que começou por volta das 9h na praça da Sé e contou com cerca de 200 pessoas, segundo a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), seguiu pelas vias do centro até chegar à prefeitura, no viaduto do Chá.
De acordo com o advogado Ariel de Castro Alves, secretário-geral do Condepe (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana de São Paulo), o Ato Público pela Humanização do Centro Histórico, como o protesto foi chamado, pretende chamar a atenção da sociedade para a situação dos moradores de rua no centro.
"Recebemos há pelo menos dois anos denúncias de agressões e de abuso de autoridade contra os moradores de rua", disse Alves. O advogado contou que os denunciantes afirmam que são acordados com chutes e jatos d'água e que têm seus cobertores e roupas confiscados por guardas civis.
Procurada pela reportagem, a GCM (Guarda Civil Metropolitana) não tinha uma posição sobre as denúncias.
Durante o protesto, manifestantes pararam em frente à sede da associação Viva o Centro, onde entregaram o "troféu higienista". Para os moradores de rua, a associação atuaria junto à prefeitura nas ações contra eles.
A associação afirmou, por meio de nota, que considera importante que todas as entidades e organizações da sociedade civil participem de um esforço coletivo pela preservação da vida e segurança de todas as pessoas.
A Aliança pelo Centro Histórico -- parceria entre prefeitura, governo e a Associação Viva o Centro-- disse também em nota que luta pela "superação de todos os problemas sociais com atendimento efetivo a todos que se encontram em situação de rua, para que possam deixar o mais cedo possível essa condição vulnerável, que os sujeita a toda sorte de violência".
Os manifestantes foram então à prefeitura, onde também deixaram um "troféu". Em seguida, seguiram ao Ministério Público, onde foram recebidos pelo promotor Eduardo Dias.
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