Cabo da PM é encontrado morto no Rio; polícia suspeita de milícia
Colaboração para a Folha Online, no Rio
Um policial militar foi encontrado morto em um carro na zona oeste do Rio, e a Polícia Militar diz suspeitar que grupos milicianos que atuam na área tenham cometido o crime, em retaliação a alguma ação de repressão. Até a manhã desta quarta-feira, ninguém havia sido preso.
O cabo Antônio Marcos Leão, lotado no 27ª Batalhão da PM (Santa Cruz, zona oeste), foi encontrado morto no fim da tarde de terça (29), de acordo com a 40ª Delegacia de Polícia (Honório Gurgel), que registrou o caso.
A perícia constatou que o cabo levou um tiro na cabeça. Não foram encontradas outras marcas de tiro no carro do policial.
A Polícia Civil informou ainda não ter pistas dos assassinos, mas, segundo informações do 27º Batalhão da PM, eles pertencem a um grupo de milícia da zona oeste. A região, de acordo com a Polícia Civil, concentra o maior número de favelas sob o domínio de grupos milicianos no Rio.
A maior dessas milícias, um grupo denominado Liga da Justiça, é chefiada pelo deputado estadual do Rio Natalino Guimarães (DEM), afirma a polícia. O deputado foi preso no último dia 21 em sua casa, quando fazia suposta reunião do grupo criminoso para planejar crimes como assassinatos e discutir o andamento das atividades comerciais comandadas pelo grupo --instalação de TV a cabo ilegal, venda ilícita e superfaturada de gás de cozinha e transporte irregular--, segundo a 35ª Delegacia de Polícia (Campo Grande), que efetuou a prisão. O irmão de Natalino, Jerônimo Guimarães, o vereador Jerominho (PMDB), está preso desde o fim do ano passado sob a mesma acusação.
Natalino Guimarães pode pegar até 20 anos de prisão, segundo a 35ª DP, se a Justiça acatar as acusações da polícia feitas ao Ministério Público contra o deputado, que permanece preso no presídio de Bangu 8, na zona oeste do Rio. Em agosto, contudo, a Comissão de Constituição e Justiça da Alerj (Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) se reunirá para avaliar a prisão em flagrante do deputado.
Por lei, a Alerj tem a prerrogativa de mandar soltar deputados estaduais do Rio presos em flagrante, se julgar que a prisão foi irregular. Foi isso que aconteceu com o deputado estadual Álvaro Lins (PMDB), preso em flagrante no dia 29 de maio pela Polícia Federal e solto pela Alerj dois dias depois. Natalino nega as acusações e se diz vítima de perseguição política.
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