PF no Rio prende médico acusado de vender lugar na fila de transplante de fígado
LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio
Uma suposta quadrilha que vendia lugar na fila para transplantes de fígado no Rio está sendo desarticulada nesta quarta-feira em uma operação da Polícia Federal. Integram o grupo médicos e até um ex-chefe do hospital da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), segundo a PF e o Ministério Público Federal, que denunciou a suposta fraude à Justiça.
Ainda não há informações sobre o número de presos na ação, batizada de Operação Fura-Fila, mas policiais federais cumprem nove mandados de busca e apreensão nesta manhã em casas da zona sul do Rio.
O MPF (Ministério Público Federal) afirma que, durante quatro anos, o grupo desviou fígados que seriam destinados a pessoas que estavam na fila para receber o órgão. Segundo o hospital da UFRJ, há cerca de 650 pessoas nesta lista de espera atualmente.
O MPF informou que há mandado de prisão expedido para o médico Joaquim Ribeiro Filho, ex-chefe da equipe de transplantes hepáticos do hospital da UFRJ e ex-coordenador do Rio Transplantes, do governo estadual do Rio. A PF afirma que cumpre outros oito mandados, mas não confirmou os nomes ou quantos já foram presos.
O Ministério Público também denunciou à Justiça os médicos Eduardo de Souza Martins Fernandes, Giuliano Ancelmo Bento, João Ricardo Ribas e Samanta Teixeira Basto. Segundo o MPF, eles responderão na Justiça pelo crime de peculato.
A advogada de Joaquim Ribeiro Filho negou o envolvimento do médico na suposta fraude e afirmou que ele é vítima de perseguição por denunciar suposta precariedade do sistema de saúde do Rio.
"O doutor Joaquim é um médico muito experiente, um dos mais reputados na área de transplante, mas é muito combativo. Ele vem denunciado a precariedade da saúde no Rio e, com isso, angariando inimigos", afirmou a advogada Simone Kamenetz.
Investigação
A suposta quadrilha atuou entre 2003 e 2007 e usava da autoridade sobre a equipe de transplantes hepáticos do hospital da UFRJ para conseguir fraudar a fila e vender lugares no topo da lista, segundo o MPF. O procurador da República Marcello Miller, autor da denúncia, conseguiu que a Justiça proibisse o grupo de realizar transplantes enquanto responda ao processo.
As investigações, feitas pela Polícia Federal, começaram após um homem ligado a um integrante do governo estadual do Rio ter conseguido o transplante apesar de ser o 32º na fila, diz o Ministério Público.
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