Duas crianças morreram à espera de fígados desviados para esquema no Rio, diz PF
LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio
O suposto esquema de venda de lugares na fila de transplantes de fígado no Rio, desarticulado na manhã desta quarta-feira na operação Fura Fila, ocasionou a morte de duas crianças que esperavam para receber órgãos, segundo as investigações da PF (Polícia Federal).
As crianças aguardavam por transplantes de fígado que foram desviados para o esquema. O caso foi citado em relatório do Ministério Público Federal entregue à Justiça com a denúncia dos médicos acusados de integrar o esquema, de acordo com a PF.
O ex-chefe de transplantes hepáticos do hospital da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e ex-coordenador do Rio Transplantes, do governo estadual do Rio, Joaquim Ribeiro Filho, é apontado como o chefe do grupo. Ele foi preso em casa, em Laranjeiras (zona sul do Rio).
A PF afirma que Ribeiro Filho desviava fígados que iriam a pacientes no topo da lista de doações e destinava os órgãos a pessoas que pagavam taxas que variavam entre R$ 200 mil e R$ 250 mil.
Outro lado
Nesta tarde desta quarta, a clínica São Vicente, na Gávea (zona sul), onde, segundo a polícia, eram feitos os transplantes irregulares, divulgou nota na qual nega qualquer envolvimento com o caso. O superintendente da PF no Rio, Valdinho Caetano, confirmou que as investigações não encontraram qualquer irregularidade por parte da clínica, que é a única unidade de saúde particular credenciada ao sistema nacional de transplantes.
"A clínica São Vicente apenas participa do processo oferecendo suas instalações hospitalares sempre que solicitada pelas equipes médicas credenciadas ao sistema nacional de transplantes. O doutor Joaquim Ribeiro nunca chefiou equipe de médicos da clínica", diz a nota.
A advogada de Joaquim Ribeiro Filho negou o envolvimento do médico na suposta fraude e afirmou que ele é vítima de perseguição por denunciar suposta precariedade do sistema de saúde do Rio.
"O doutor Joaquim é um médico muito experiente, um dos mais reputados na área de transplante, mas é muito combativo. Ele vem denunciado a precariedade da saúde no Rio e, com isso, angariando inimigos", afirmou a advogada Simone Kamenetz.
Leia mais
- Advogada diz que médico suspeito de furar fila de transplantes sofre perseguição
- PF faz operação contra fraude em fila para transplantes; médico é preso no Rio
- Maioria dos transplantes de rins depende de doador vivo
- Jovem de 13 anos recebe córnea de menino baleado por PMs no Rio
- Operação da PF prende 6 suspeitos de assaltar bancos em 3 Estados e no DF
- PF faz operação em 3 Estados e prende 13 suspeitos de tráfico de drogas
Livraria da Folha
- Livro mostra como se tornar advogado, escolher carreira e conseguir primeiro emprego
- Criminalista retrata prisões brasileiras e aponta desinteresse político; leia capítulo
- Frederico Vasconcelos ensina como investigar governos, empresas e tribunais
Especial

