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Cotidiano
30/07/2008 - 17h45

Contra desvio de órgãos, Saúde decide concentrar transplantes

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da Folha Online

O Ministério da Saúde informou nesta quarta-feira, em nota, que determinou a concentração de todos os transplantes de fígado do Estado do Rio no Hospital Geral de Bonsucesso (zona norte do Rio). O sistema foi modificado depois de uma operação da PF (Polícia Federal) ter revelado a suspeita de que uma quadrilha desviava órgãos no Estado.

Conforme as investigações da PF, o ex-chefe de transplantes hepáticos do hospital da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e ex-coordenador do Rio Transplantes, do governo estadual do Rio, Joaquim Ribeiro Filho, desviava fígados que iriam para pacientes no topo da lista de doações e os destinava a pessoas que pagavam entre R$ 200 mil e R$ 250 mil. Esses transplantes irregulares eram realizados na clínica São Vicente, na Gávea (zona sul do Rio).

Na nota, o Ministério da Saúde informou também que o diretor de Atenção Especializada da pasta, Alberto Beltrame, chega ao Rio amanhã (30) para implementar a nova medida --a de concentrar os transplantes-- e que as investigações da PF partiram de denúncia da Central Estadual de Transplantes do Rio, o que demonstra "que o Sistema Nacional de Transplantes está vigilante e pronto a reprimir e combater qualquer tentativa de fraude".

Em 2007, o SUS (Sistema Único de Saúde) realizou 15.857 transplantes de órgãos, sendo deles 971 de fígado.

Outro lado

Nesta tarde desta quarta, a clínica São Vicente, --onde, segundo a PF, ocorriam transplantes irregulares-- divulgou uma nota na qual nega envolvimento com o caso. "A clínica São Vicente apenas participa do processo oferecendo suas instalações hospitalares sempre que solicitada pelas equipes médicas credenciadas ao sistema nacional de transplantes. O doutor Joaquim Ribeiro nunca chefiou equipe de médicos da clínica", diz a nota.

O superintendente da PF no Rio, Valdinho Caetano, confirmou que as investigações não encontraram qualquer irregularidade por parte da clínica, que é a única unidade de saúde particular credenciada ao Sistema Nacional de Transplantes.

A advogada de Joaquim Ribeiro Filho negou o envolvimento do médico na suposta fraude e afirmou que ele é vítima de perseguição por denunciar suposta precariedade do sistema de saúde do Rio.

"O doutor Joaquim é um médico muito experiente, um dos mais reputados na área de transplante, mas é muito combativo. Ele vem denunciado a precariedade da saúde no Rio e, com isso, angariando inimigos", afirmou a advogada Simone Kamenetz.

 

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