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Cotidiano
30/07/2008 - 18h57

Defensor de creche entrega ficha e diário de menino morto à polícia

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Colaboração para a Folha Online

O advogado Alberto Rinaldi, que representa a creche Pedacinho da Lua, entregou nesta quarta-feira à Polícia Civil o diário do estabelecimento e a ficha médica de Gabriel Santos Ribeira, de sete meses, que morreu no local na sexta-feira (25). De acordo com o advogado, os documentos não contêm a informação de que o garoto tinha refluxo.

"É uma prova contundente que desdiz o que os pais vêm divulgando."

Ciente da entrega do diário, o pai de Gabriel, Júlio Cezar Ribeira, reafirmou que a informação sobre o refluxo constava do diário e levantou a possibilidade de a prova ter sido alterada. Ele disse ainda que o bebê teve problema de refluxo e foi medicado, mas que não tomava mais o remédio havia tempo.

Ele disse que as acusações que faz são de negligência. "Pelos meus cálculos, foram cerca de 25 a 30 minutos desde que meu filho passou mal até o atendimento no hospital", afirmou.

Os defensores da creche negam que tenha ocorrido adulteração ou negligência. "Se houve negligência, foi por parte dos pais, que não comunicaram a escola que a criança tinha uma patologia pré-existente", afirmou Roberto Rinaldi, outro advogado da creche.

Nesta quarta, Suzana Leão, dona da creche, prestou depoimento no 90º DP (Parque Novo Mundo). Outras 11 pessoas --sendo três funcionárias do berçário da creche-- também são ouvidas. O conteúdo do depoimento de Leão não foi divulgado. Ela permanecia na delegacia às 18h30 para acompanhar os outros depoimentos.

Na quinta-feira (31), dois médicos do Hospital Nipo-Brasileiro prestam depoimento. Na semana que vem, o pediatra do menino será ouvido.

Morte

No dia da morte de Gabriel, o pai diz tê-lo deixado na creche às 11h. Ele conta que retornou para buscar o filho às 14h e que, depois de esperar do lado de fora, foi chamado às pressas porque Gabriel não respirava. Júlio Cezar pegou o menino --que tinha os lábios arroxeados-- e o levou ao Hospital Nipo-Brasileiro. Os médicos atestaram que ele havia morrido de parada cardiorrespiratória.

Conforme o pai, o menino não tinha problemas de saúde quando foi deixado na creche. Ele diz ainda que levou a comida que deveria ser dada ao garoto porque os alimentos servidos na creche não faziam bem à criança.

De acordo com os defensores da creche, nos depoimentos desta quarta-feira, as funcionárias da creche disseram que observavam os bebês antes da chegada do pai de Gabriel e que, em todos os momentos, ele aparentava estar dormindo. Elas teriam dito que só perceberam que o garoto tinha os lábios arroxeados quando o pai chegou e elas foram trocar a fralda do bebê.

Conforme as funcionárias, depois de comer, Gabriel foi colocado em um bolso de descanso e, 30 minutos a 40 minutos mais tarde, foi colocado deitado de lado no berço. Segundo elas, em casos de bebês com refluxo, o procedimento é diferente.

 

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