Advogada diz que médico suspeito de furar fila de transplantes sofre perseguição
LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio
A advogada do médico Joaquim Ribeiro Filho, suspeito de chefiar esquema de venda de lugares na fila de transplantes de fígado no Rio, negou nesta quarta-feira o envolvimento do médico na suposta fraude e afirmou que ele é vítima de perseguição por denunciar suposta precariedade do sistema de saúde do Rio. A Secretaria Estadual de Saúde do Rio não comentou a posição da advogada.
"O doutor Joaquim é um médico muito experiente, um dos mais reputados na área de transplante, mas é muito combativo. Ele vem denunciado a precariedade da saúde no Rio e, com isso, angariando inimigos", afirmou a advogada Simone Kamenetz.
Kamenetz afirmou que os advogados de Ribeiro Filho pediram habeas corpus do médico à 2ª Turma do TRF (Tribunal Regional Federal) da 2ª região, no Rio, nesta quarta-feira. O médico foi preso nesta manhã em sua casa, em Laranjeiras (zona sul), durante operação da PF (Polícia Federal) denominada Fura-Fila, para desarticular o suposto esquema.
A advogada afirmou que o médico já sabia das investigações da Polícia Federal contra ele e que chegou a pedir para ser ouvido pelos investigadores, mas não foi atendido. "O advogado criminalista dele pediu para ser ouvido durante as investigações da PF, mas não deixaram. O doutor Joaquim tem 30 anos de dedicação, trabalha sem receber para um estado falido e hoje está taxado de furador de fila, chefe de quadrilha de desvio de órgãos", declarou a advogada.
Procurada pela Folha Online, a PF ainda não se pronunciou para esclarecer se Ribeiro Filho protocolou pedido para depor durante as investigações.
Esquema
De acordo com as investigações da PF e a denúncia do Ministério Público Federal, Ribeiro Filho, que era credenciado ao sistema nacional de transplantes, colocava na frente de pessoas que estavam no topo da lista de doações pacientes que pagavam a ele taxas que variavam entre R$ 200 mil e R$ 250 mil. Ele e outros quatro médicos suspeitos de participar do esquema foram denunciados à Justiça por peculato --apropriação ilegal de recursos.
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