Policia prende em SP 14 suspeitos de integrar quadrilha ligada ao PCC
CLAYTON FREITAS
da Folha Online
Uma operação deflagrada por policiais civis na Grande São Paulo resultou nesta quinta-feira na prisão de 14 pessoas apontadas como integrantes de uma quadrilha que agia a mando da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). Os suspeitos foram detidos em São Bernardo, Diadema e Santo André, na região metropolitana, e na zona leste da cidade de São Paulo.
As investigações, que tiveram início há seis meses, partiram de anotações e escutas telefônicas passadas pela SAP (Secretaria da Administração Penitenciária) para a SIG (Setor de Investigações Gerais) de São Bernardo do Campo.
As escutas apontavam que havia dois líderes fora das prisões. A mando de lideranças presas, eles realizavam tráfico de drogas, assaltos e assassinatos em nome da facção criminosa, segundo a polícia.
Na operação, realizada na madrugada de hoje e que contou com o auxílio de cerca de 80 agentes de diversas delegacias da região metropolitana, foram apreendidos diversos veículos, armas, celulares e drogas em quantidade ainda não mensurada pela polícia.
Alem da SIG, promotores da Gaerco (Grupo de Atuação Especial Regional para Prevenção e Repressão ao Crime Organizado), do Ministério Público, também realizaram investigações a respeito da suposta quadrilha.
Entre as apreensões feitas hoje estão a de ônibus da empresa Rossinholi, sediada na zona leste da cidade de São Paulo e que, segundo as investigações, é de propriedade de líderes do PCC. Entre os donos estão Marcelo Rossinholi, detento do presídio de Presidente Venceslau (610 km de São Paulo), e Andréa Martins de Oliveira, mulher de Iran Barbosa da Silva, preso na mesma cela de Rossinholi.
Os veículos transportavam gratuitamente as mulheres dos detentos para presídios no Estado. Existe a suspeita de que a empresa seria de fachada e atuaria na lavagem de dinheiro obtido nos crimes cometidos pelos integrantes da quadrilha.
Os dois supostos lideres que atuariam fora dos presídios seriam Renato Kauffman da Costa, conhecido como Kauã, e Paulo Freire da Silva, o Noturno. Chamados de "sintonia geral", eles receberiam ordens de dentro dos presídios e as repassariam aos "pilotos", que executariam as ordens. Segundo a polícia, a partir deles as ordens eram cumpridas, as drogas eram distribuídas e o dinheiro, repassado.
Ministério Público
Em conjunto com as investigações da Polícia Civil, os promotores do Gaerco descobriram que uma segunda empresa atuaria na lavagem de dinheiro do PCC. Trata-se da padaria Dovanci, sediada em Santo André, de propriedade de Alberto Dovanci.
Em sua casa foram encontrados cerca de R$ 15 mil em dinheiro, além de automóveis --como Corolla e Golf-- e também 16 munições de 9mm. Segundo a promotora Sandra Reimberg, do Gaerco, o padrão de vida de Dovanci é incompatível com sua renda e existe a suspeita de que ele atuaria em favor da facção criminosa.
Os materiais apreendidos, as anotações feitas pela SAP e as investigações da polícia serão analisadas --entre elas a uma gravação feita a partir de um presídio paulista informando que cada integrante fora da cadeia teria de colaborar mensalmente com R$ 600 ao PCC. Outra suspeita é de que Kauffman receberia um salário mensal de R$ 7.000 para ser o "sintonia" do partido fora das cadeias. Uma outra gravação dá conta que os negócios no ABC renderiam ao "partido" R$ 20 milhões por ano.
Suspeita-se também que o grupo seria responsável por ao menos cinco assassinatos na região do Grande ABC.
A reportagem não conseguiu localizar representantes dos envolvidos para comentar as acusações.
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