Cotidiano
31/07/2008 - 12h33

Policia prende em SP 14 suspeitos de integrar quadrilha ligada ao PCC

Publicidade

CLAYTON FREITAS
da Folha Online

Uma operação deflagrada por policiais civis na Grande São Paulo resultou nesta quinta-feira na prisão de 14 pessoas apontadas como integrantes de uma quadrilha que agia a mando da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). Os suspeitos foram detidos em São Bernardo, Diadema e Santo André, na região metropolitana, e na zona leste da cidade de São Paulo.

As investigações, que tiveram início há seis meses, partiram de anotações e escutas telefônicas passadas pela SAP (Secretaria da Administração Penitenciária) para a SIG (Setor de Investigações Gerais) de São Bernardo do Campo.

As escutas apontavam que havia dois líderes fora das prisões. A mando de lideranças presas, eles realizavam tráfico de drogas, assaltos e assassinatos em nome da facção criminosa, segundo a polícia.

Na operação, realizada na madrugada de hoje e que contou com o auxílio de cerca de 80 agentes de diversas delegacias da região metropolitana, foram apreendidos diversos veículos, armas, celulares e drogas em quantidade ainda não mensurada pela polícia.

Alem da SIG, promotores da Gaerco (Grupo de Atuação Especial Regional para Prevenção e Repressão ao Crime Organizado), do Ministério Público, também realizaram investigações a respeito da suposta quadrilha.

Entre as apreensões feitas hoje estão a de ônibus da empresa Rossinholi, sediada na zona leste da cidade de São Paulo e que, segundo as investigações, é de propriedade de líderes do PCC. Entre os donos estão Marcelo Rossinholi, detento do presídio de Presidente Venceslau (610 km de São Paulo), e Andréa Martins de Oliveira, mulher de Iran Barbosa da Silva, preso na mesma cela de Rossinholi.

Os veículos transportavam gratuitamente as mulheres dos detentos para presídios no Estado. Existe a suspeita de que a empresa seria de fachada e atuaria na lavagem de dinheiro obtido nos crimes cometidos pelos integrantes da quadrilha.

Os dois supostos lideres que atuariam fora dos presídios seriam Renato Kauffman da Costa, conhecido como Kauã, e Paulo Freire da Silva, o Noturno. Chamados de "sintonia geral", eles receberiam ordens de dentro dos presídios e as repassariam aos "pilotos", que executariam as ordens. Segundo a polícia, a partir deles as ordens eram cumpridas, as drogas eram distribuídas e o dinheiro, repassado.

Ministério Público

Em conjunto com as investigações da Polícia Civil, os promotores do Gaerco descobriram que uma segunda empresa atuaria na lavagem de dinheiro do PCC. Trata-se da padaria Dovanci, sediada em Santo André, de propriedade de Alberto Dovanci.

Em sua casa foram encontrados cerca de R$ 15 mil em dinheiro, além de automóveis --como Corolla e Golf-- e também 16 munições de 9mm. Segundo a promotora Sandra Reimberg, do Gaerco, o padrão de vida de Dovanci é incompatível com sua renda e existe a suspeita de que ele atuaria em favor da facção criminosa.

Os materiais apreendidos, as anotações feitas pela SAP e as investigações da polícia serão analisadas --entre elas a uma gravação feita a partir de um presídio paulista informando que cada integrante fora da cadeia teria de colaborar mensalmente com R$ 600 ao PCC. Outra suspeita é de que Kauffman receberia um salário mensal de R$ 7.000 para ser o "sintonia" do partido fora das cadeias. Uma outra gravação dá conta que os negócios no ABC renderiam ao "partido" R$ 20 milhões por ano.

Suspeita-se também que o grupo seria responsável por ao menos cinco assassinatos na região do Grande ABC.

A reportagem não conseguiu localizar representantes dos envolvidos para comentar as acusações.

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca