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Cotidiano
31/07/2008 - 21h22

Polícia procura co-autor de esquartejamento de jovem inglesa em Goiás

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da Folha Online
da Agência Folha

Equipes da Polícia Civil de Goiás trabalham para localizar um amigo de Mohammed D'Ali Carvalho dos Santos, 20, que o ajudou a esquartejar a adolescente britânica Cara Marie Burke, 17, em Goiânia (GO), no sábado (26). O rapaz, classificado como co-autor do crime, foi identificado, mas está foragido. Santos está preso.

De acordo com a Polícia Civil, Santos matou a garota em seu apartamento. Ele teria deixado o som em volume alto e esfaqueado Cara. Depois, teria colocado o corpo no box do banheiro e saído para uma festa. No dia seguinte, domingo (27), ele teria esquartejado o corpo --para facilitar o transporte, disse-- e fotografado com a câmera de seu telefone celular.

Santos foi preso na madrugada desta quinta-feira e, conforme a Polícia Civil, confessou o crime. Segundo o delegado Jorge Moreira, titular da Delegacia de Homicídios de Goiânia, o rapaz demonstrou frieza durante o depoimento e disse que matou Cara porque não queria que ela retornasse para o Reino Unido. No depoimento, porém, ele desmentiu a informação de que os dois namoravam. Outra versão é a de que ele teria afirmado que matou a moça porque ela ameaçava delatar o envolvimento dele com drogas.

Para o delegado, o crime não foi premeditado.

De acordo com Moreira, no depoimento, Santos também confessou ser usuário de drogas e disse que Cara freqüentava sua casa também para usar entorpecentes. O rapaz já cometeu vários atos infracionais quando era adolescente, segundo o delegado. "Ele usa todo o tipo de droga e pode ser traficante também, pois não trabalha e a casa era freqüentada por pessoas que estão nesse 'meio das drogas'. Ele falou sobre o crime com frieza."

A Polícia Civil de Goiás não informou ontem se o suspeito já havia constituído advogado. No momento da prisão, Santos não quis falar com a imprensa. Nervoso com o assédio, afirmou somente: "Não vou falar desgraça nenhuma."

Buscas

O tórax de Cara foi encontrado em uma mala, às margens do rio Meia Ponte, na noite de segunda-feira (28). Nesta quinta-feira, o Corpo de Bombeiros iniciou buscas pela cabeça e pelos membros de Cara. Os trabalhos estão concentrados em um córrego no município de Bonfinópolis (33 km de Goiânia).

O capitão Costa Franco, do Corpo de Bombeiros, disse acreditar que os restos não devem estar neste córrego. "Ele [o córrego] é estreito e tem muito entulho. Se tivesse sido jogado lá, nós teríamos encontrado."

O suspeito será levado na sexta-feira (1º) até o córrego. Segundo o delegado, Santos estava confuso quando apontou o local onde jogou o corpo. Ele estaria sob efeito de drogas e pode ter confundido o rio com outro córrego, ainda de acordo com o delegado. Amanhã Santos também volta a prestar depoimento à Polícia Civil.

Vítima

Cara estava no Brasil desde abril, segundo a assessoria de comunicação do governo. Ela desembarcou no aeroporto de Guarulhos (Grande São Paulo) no último dia 9 de abril, de acordo com a Polícia Federal. Segundo a PF, a adolescente ficou no Brasil até 1º de maio, quando voltou para o Reino Unido. No dia 22 do mesmo mês, Cara retornou ao Brasil.

Cara e Santos se conheceram em Londres, onde a mãe dele mora. Em depoimento, uma amiga da britânica afirmou que ela teria morado em um apartamento com Santos durante um mês e deixado o lugar porque era agredida.

"Não tem sentido dizer que eles não tinham envolvimento. A mala onde ela [parte do corpo] foi encontrada estava na casa dele. A família reconheceu, por uma imagem de televisão, que a mala era dela", afirmou o delegado.

Reconhecimento

Conforme a Polícia Civil, a mãe de Cara reconheceu o corpo da adolescente graças a uma imagem veiculada no Reino Unido pela Rede Record Internacional. Na imagem aparecia a tatuagem da garota.

Segundo o governo de Goiás, a mãe da adolescente, Ana Marie, disse não ter condições financeiras de vir ao Brasil acompanhar as investigações. Ela foi informada sobre da prisão do suspeito. De acordo com o governo, a mãe da adolescente vai pedir ajuda às autoridades britânicas para trasladar o corpo da filha para o Reino Unido.

 

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