Barulho causado por explosão parecia terremoto, diz mulher de preso em Guarulhos (SP)
PAULO TOLEDO PIZA
colaboração para a Folha Online
Um grupo de mulheres de presos que estava em frente à penitenciária Desembargador Adriano Marrey, em Guarulhos (Grande São Paulo), e presenciou a explosão que abriu um buraco na muralha, relata que o chão tremeu, tal qual um terremoto, na manhã desta sexta-feira.
Segundo a SAP (Secretaria da Administração Penitenciária), não houve fuga de presos. A secretaria informa que o artefato foi jogado por dois homens que passaram pelo local e, em seguida, fugiram por meio de um matagal nas proximidades, por volta das 10h15. O buraco foi aberto perto do local onde os presos tomam banho de sol e suas dimensões permitem a passagem de uma pessoa.
As mulheres disseram que estavam no local naquele momento no aguardo de senhas para visitas que ocorrem no final de semana. A reportagem da Folha Online percebeu que várias realizavam ligações de aparelhos celulares direto para os maridos, que estão confinados dentro do presídio.
Uma delas se disse emocionalmente abalada. A situação a fez lembrar dos ataques e rebeliões promovidas pelo PCC (Primeiro Comando da Capital) no Estado --em 2001 motins se espalharam por cerca de 30 unidades.
Para Esmeralda Villar, 43, vendedora de alimentos e bebidas que mantém uma barraca em frente à penitenciária, a explosão fez lembrar um grande acidente de trânsito. "Foi um estrondo muito alto. Pensei que fosse uma batida de carreta na via Dutra [próxima dali]. Vi as meninas [mulheres dos presos] correndo para cá", afirma.
Villar disse que no momento da explosão houve corre-corre de agentes penitenciários e vários carros das polícias Civil e Militar chegaram em questão de minutos, além de uma ambulância.
Na conversa que outra mulher teve com seu marido pelo celular, ele disse que o clima era de tensão dentro da unidade. Ela confirmou que houve a recontagem e que os presos tiveram de permanecer dentro das celas.
Outra mulher, a única que falou apenas o seu primeiro nome, Luana, disse que está preocupada com uma eventual suspensão das visitas aos presos.
Reflexo
O barulho da explosão se fez ouvir em outra penitenciária, o CDP-1 (Centro de Detenção Provisória) de Guarulhos, perto dali.
Ao menos é o que relatou uma outra mulher de um dos presos, que foi, a pé, até a penitenciária Desembargador Adriano Marrey para ver o que havia ocorrido.
Policiais militares armados permaneciam na frente do buraco aberto pela explosão. A SAP não informou quando ele será reparado.
Normalidade
Em nota, a SAP informa que ninguém fugiu.
"Houve a explosão de um artefato na área externa do presídio, na muralha, de fora para dentro. Não houve fugas, não houve feridos e dentro do presídio a situação é de normalidade", afirmou a SAP em nota. A secretaria negou que os presos tenham promovido um tumulto na unidade.
A polícia investiga o tipo de artefato usado na ação. Um suspeito teria sido detido durante as buscas feitas na região.
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