Suspeito de esquartejar jovem inglesa em GO tentou suborno, diz PM
Colaboração para a Agência Folha, em Goiânia
da Folha Online
O suspeito de ter matado e esquartejado uma inglesa de 17 anos em Goiânia tentou subornar policiais militares ao ser preso anteontem, afirma a Polícia Militar de Goiás.
Mohammed D'Ali Carvalho dos Santos, 20, ofereceu R$ 70 mil para não ser detido pelo crime, de acordo com gravação feita por celular, por um major da PM que participou da prisão.
Na gravação, Santos diz que "quer negociar" e que pode conseguir o dinheiro com a mãe. Na seqüência, um policial responde que "a maior recompensa que pode receber" é "ver um psicopata atrás das grades".
Pela conversa gravada, o suspeito confessa que arrastou o corpo da moça para o banheiro do apartamento, onde o deixou até o dia seguinte. Ela foi esquartejada no domingo. Segundo a Polícia Civil de Goiás, Santos era um "pequeno traficante".
Ontem ao ser levado ao local onde estariam partes do corpo da jovem, Santos negou ter cometido o crime. A polícia, porém, afirma que ele mantém em depoimentos a versão de que matou Cara por medo de ser delatado por seu envolvimento com drogas.
A polícia investiga um suposto plano de Santos de se casar com a jovem para obter visto britânico. Cara estava no Brasil havia três meses -segundo uma amiga dela, a convite de Mohammed.
Crime
De acordo com a Polícia Civil, o rapaz matou a garota em seu apartamento. Ele teria deixado o som em volume alto e esfaqueado Cara no sábado (26). Depois, teria colocado o corpo no box do banheiro e saído para uma festa. No dia seguinte, ele teria esquartejado o corpo --para facilitar o transporte, disse-- e fotografado com a câmera de seu telefone celular.
Segundo o delegado Jorge Moreira, titular da Delegacia de Homicídios de Goiânia, o rapaz demonstrou frieza durante o depoimento e disse que matou Cara porque não queria que ela retornasse para o Reino Unido. No depoimento, porém, ele desmentiu a informação de que os dois namoravam. Outra versão é a de que ele teria afirmado que matou a moça porque ela ameaçava delatar o envolvimento dele com drogas.
Para o delegado, o crime não foi premeditado. Conforme Moreira, no depoimento, Santos também confessou ser usuário de drogas e disse que Cara freqüentava sua casa também para usar entorpecentes.
O rapaz já cometeu vários atos infracionais quando era adolescente, segundo o delegado. "Ele usa todo o tipo de droga e pode ser traficante também, pois não trabalha e a casa era freqüentada por pessoas que estão nesse 'meio das drogas'. Ele falou sobre o crime com frieza."
Vítima
Cara estava no Brasil desde abril, segundo a assessoria de comunicação do governo. Ela desembarcou no aeroporto de Guarulhos (Grande São Paulo) no último dia 9 de abril, de acordo com a Polícia Federal. Segundo a PF, a adolescente ficou no Brasil até 1º de maio, quando voltou para o Reino Unido. No dia 22 do mesmo mês, Cara retornou ao Brasil.
Cara e Santos se conheceram em Londres, onde a mãe dele mora. Em depoimento, uma amiga da britânica afirmou que ela teria morado em um apartamento com Santos durante um mês e deixado o lugar porque era agredida.
"Não tem sentido dizer que eles não tinham envolvimento. A mala onde ela [parte do corpo] foi encontrada estava na casa dele. A família reconheceu, por uma imagem de televisão, que a mala era dela", afirmou o delegado.
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