Advogado diz que jovem matou britânica em GO sob efeito de drogas
FELIPE BÄCHTOLD
da Agência Folha
da Folha Online
A defesa de Mohammed D'Ali Carvalho dos Santos, 20, suspeito de esquartejar uma inglesa de 17 anos em Goiânia, diz que ele cometeu o crime sob efeito de drogas e não lembra o que fez no dia do assassinato.
Segundo o advogado dele, Carlos Augusto Trajano, o jovem goiano é dependente químico há vários anos e havia consumido cocaína e crack antes de matar a inglesa Cara Marie Burke, no último dia 26. Trajano diz que o suspeito nega que seja traficante de drogas, como aponta a Polícia Civil de Goiás.
Cara foi morta a facadas. Na segunda-feira (28), parte do corpo foi encontrada em uma mala abandonada às margens de um rio em Goiânia. A inglesa foi reconhecida por meio de uma tatuagem. A cabeça e os membros dela ainda não foram achados. Na última quinta, Santos foi preso.
O esquartejamento ocorreu um dia após o crime. Segundo o advogado, o suspeito mutilou o cadáver para conseguir se desfazer dele.
Cara e o goiano se conheceram em Londres, onde mora a mãe dele. Ela veio ao Brasil pela primeira vez em abril com a passagem paga por Santos. Eles chegaram a morar juntos em Goiânia. A defesa diz que Santos era sustentado pela mãe.
"Hoje ele falou com a mãe. Chorou muito, está arrependido pela situação. Pediu perdão e para ela não vir ao Brasil", disse Trajano.
De acordo com o advogado, o suspeito ainda não comentou a suposta tentativa de suborno a policiais militares. Segundo gravação feita pela PM, ele ofereceu R$ 70 mil para ser solto.
O suspeito também eximiu uma outra pessoa que, segundo a polícia goiana, o ajudou a transportar o corpo.
Mohammed permanece em uma cela isolada na Delegacia de Homicídios de Goiânia. A defesa pretende pedir um exame clínico para comprovar o efeito das drogas no comportamento do suspeito.
Crime
De acordo com a Polícia Civil, o rapaz matou a garota em seu apartamento. Ele teria deixado o som em volume alto e esfaqueado Cara no sábado (26). Depois, teria colocado o corpo no box do banheiro e saído para uma festa. No dia seguinte, ele teria esquartejado o corpo --para facilitar o transporte, disse-- e fotografado com a câmera de seu telefone celular.
Segundo o delegado Jorge Moreira, titular da Delegacia de Homicídios de Goiânia, o rapaz demonstrou frieza durante o depoimento e disse que matou Cara porque não queria que ela retornasse para o Reino Unido. No depoimento, porém, ele desmentiu a informação de que os dois namoravam. Outra versão é a de que ele teria afirmado que matou a moça porque ela ameaçava delatar o envolvimento dele com drogas.
Para o delegado, o crime não foi premeditado. Conforme Moreira, no depoimento, Santos também confessou ser usuário de drogas e disse que Cara freqüentava sua casa também para usar entorpecentes.
O rapaz já cometeu vários atos infracionais quando era adolescente, segundo o delegado. "Ele usa todo o tipo de droga e pode ser traficante também, pois não trabalha e a casa era freqüentada por pessoas que estão nesse 'meio das drogas'. Ele falou sobre o crime com frieza."
Cara estava no Brasil desde abril, segundo a assessoria de comunicação do governo. Ela desembarcou no aeroporto de Guarulhos (Grande São Paulo) no último dia 9 de abril, de acordo com a Polícia Federal. Segundo a PF, a adolescente ficou no Brasil até 1º de maio, quando voltou para o Reino Unido. No dia 22 do mesmo mês, Cara retornou ao Brasil.
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