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Cotidiano
05/08/2008 - 18h08

Exame feito de hospital aponta que bebê morto em creche tinha meningite

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da Folha Online

O Hospital Nipo-Brasileiro, em São Paulo, que atendeu o menino Gabriel Santos Ribeira, de sete meses, informou que exames preliminares apontaram que o bebê estava com meningite viral. Ele morreu no último dia 25, quando estava na creche particular Pedacinho da Lua, na Vila Medeiros (zona norte). Os pais da criança foram informados sobre a doença. Os médicos do hospital atestaram que ele havia morrido de parada cardiorrespiratória.

Por meio de uma nota, o hospital relatou como foi o atendimento a Gabriel no dia em que ele morreu. A criança deu entrada na sala de emergência do hospital às 14h30 daquele dia com parada cárdio-respiratória, pele arroxeada e corpo frio, segundo a nota.

Os médicos iniciaram um processo de reanimação e por 40 minutos foram realizados os procedimentos para tentar reverter o quadro. Entre esses procedimentos estava a intubação pela traquéia para garantir o acesso às vias respiratórias, massagem cardíaca entre outros.

Segundo o hospital, durante o procedimento de intubação foram encontrados restos de alimentos na orofaringe (uma das divisões da faringe). Os detritos foram retirados, por meio de uma aspiração, e os médicos conseguiram realizar a intubação na criança.

Durante manobras de reanimação, segundo o hospital, o único exame possível de ser realizado foi a coleta de liquor (líquido da medula).

No dia 29 de julho, quatro dias após a morte do bebê, o hospital disse que recebeu um laudo sobre esse exame, que aponta um quadro de meningite de origem viral. Após a constatação, os pais foram notificados e o hospital emitiu um comunicado à Vigilância Sanitária, já que a doença é de notificação compulsória.

O hospital esclarece que não é possível determinar se o quadro de meningite foi a causa da morte de Gabriel. Somente o laudo do IML (Instituto Médico Legal) pode apontar o que causou a morte do bebê.

Segundo a SSP (Secretaria da Segurança Pública), o laudo sairá no período previsto para esse tipo de exame, após 30 dias de sua realização. A Polícia Civil não falará sobre o caso até a divulgação do laudo do IML.

Troca de acusações

A família de Gabriel acusa a creche de negligência com o garoto na hora da alimentação. Já a creche lamenta a morte e disse que o que ocorreu foi uma tragédia.

O pai do menino, Júlio Cezar Ribeira, 26, disse ter deixado a criança na creche às 11h e retornado para buscá-lo por volta das 14h. Depois de esperar do lado de fora, ele foi chamado às pressas, pois o filho não respirava. Júlio Cezar pegou o menino --que tinha os lábios arroxeados-- e o levou ao Hospital Nipo-Brasileiro.

Conforme o pai, o menino não tinha problemas de saúde quando foi deixado na creche. Ele diz ainda que levou a comida que deveria ser dada ao garoto porque os alimentos servidos na creche não faziam bem à criança.

A família da criança disse que não vai se manifestar sobe a informação do hospital.

A funcionária da creche afirma que Gabriel estava no berçário e que ela só percebeu que o menino não respirava quando foi trocar as fraldas dele, pouco antes de o pai chegar.

Em nota publicada em seu site, a creche afirma que é com "imensa dor e pesar" que lida com a morte de Gabriel.

A creche classificou o fato como "tragédia" e afirmou que "todos os procedimentos recomendados em relação à alimentação, arroto, descanso em posição vertical e colocação para dormir foram adotados".

 

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