PMs que atiraram contra João Roberto se calam em audiência judicial
LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio
Em audiência judicial realizada na tarde desta quarta-feira no 2º Tribunal do Júri no fórum do centro do Rio, os dois policiais militares suspeitos de disparar os tiros que mataram o menino João Roberto Amorim, 3, durante suposta perseguição a criminosos na Tijuca (zona norte), se calaram. João Roberto estava com a mãe e com o irmão menor no carro, que, segundo a polícia, foi confundido com o veículo onde estavam assaltantes, no dia 6 de julho.
A morte do menino completa um mês nesta quarta-feira, mesmo dia em que a polícia realiza uma operação na Tijuca para cumprir cerca de de 20 mandados de prisão.
Na manhã de ontem, uma missa reuniu cerca de 150 pessoas na Catedral Metropolitana do Rio, no centro da cidade, em memória do menino.
O sargento Elias Gonçalves da Costa Neto e o cabo William de Paula chegaram ao fórum escoltados por policiais militares, por volta das 12h30, e saíram por volta das 15h. Eles não responderam as perguntas dos jornalistas e não se pronunciaram durante a sessão.
A denúncia formulada pelo promotor Paulo Rangel e lida durante a audiência pelo juiz Paulo Baldez classifica o crime como "covarde e cruel". O texto argumenta ainda que além de atirar contra o menino João Roberto, os dois policiais colocaram em risco a vida da mãe, do irmão do menino e pedestres que passavam pela rua no momento dos disparos.
"Também não observaram se o automóvel contra o qual atiravam era o Fiat Stilo preto [veículo dos supostos criminosos]", escreveu o promotor.
Alegando empecilhos técnicos, Rangel disse não ser possível exibir um vídeo com imagens do circuito interno do prédio em frente ao local do crime --que mostra os policiais atirando contra o carro--, conforme queria o Ministério Público. O juiz afirmou que técnicos detectaram qualidade ruim nas imagens. O conteúdo da gravação foi enviado à perícia.
O defensor público Marcelo Machado, que advoga em favor do sargento, pediu que Neto não participe da próxima audiência do caso. O pedido foi negado pelo juiz. Na próxima audiência as testemunhas de acusação arroladas pelo Ministério Público serão ouvidas.
A data da audiência será marcada após a entrega da defesa formal dos dois policiais militares. Os defensores terão prazo de três dias para entregar as peças ao juiz contados a partir de hoje.
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