Mulher deve evitar homem "pudim de cachaça" para se proteger, diz juiz do RS
CÍNTIA ACAYABA
da Agência Folha
Um juiz de Erechim (396 km de Porto Alegre), que se opõe à Lei Maria da Penha, recomendou às mulheres, como "melhor forma" de proteção contra a violência doméstica, não escolherem "homem bagaceiro e pudim de cachaça".
O juiz substituto da 2ª Vara Criminal, Marcelo Mezzomo, contrário à lei por considerá-la inconstitucional, fez a declaração a um jornal local. Ontem, reafirmou sua posição à Folha.
"Eu disse isso porque nós temos constatado que a maioria dos casos de violência doméstica decorre do alcoolismo." Para o juiz, casais deveriam se separar quando a relação se torna inviável. Mezzomo extinguiu, apenas em julho, 32 processos com base na lei.
Em nota, o CNDM (Conselho Nacional dos Direitos da Mulher) repudiou as declarações do juiz. "Interpretar a Lei Maria da Penha como inconstitucional é fazer a manutenção não apenas de práticas discriminatórias, mas de um conceito de direito que não cabe em sociedades democráticas."
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