Polícia prende suspeita de matar irmã e filho de namorado em Taubaté (SP)
FÁBIO AMATO
da Agência Folha, em Taubaté
A Polícia Civil em Taubaté (130 km de SP) anunciou nesta segunda-feira a prisão de uma mulher de 62 anos suspeita de ser mandante dos assassinatos de uma irmã e de um filho de 13 anos de seu namorado.
De acordo com a polícia, a bacharel em direito Leonor Ataide de Oliveira pagou R$ 6.000 pela morte dos dois, o que ela nega, segundo seu advogado. Com isso, segundo a investigação, queria evitar ser denunciada como participante de um esquema de compra de precatórios (dívidas da administração pública com pagamento determinado na Justiça) para obtenção de lucros.
Outras seis pessoas foram presas sob suspeita de participação nos crimes. Devem responder por homicídio, formação de quadrilha, extorsão e explosão.
Em junho de 2006, a casa e carros de parentes do taxista José Roberto Gil, namorado de Oliveira, passaram a ser alvos de ataques a bomba. Foram nove ao todo, e ao menos 30 ameaças de morte por telefone.
Segundo o delegado Marcelo Ribeiro, a família acreditou inicialmente que os ataques tivessem partido de traficantes que cobravam uma dívida contraída por um dos filhos do taxista.
No último dia 12 de maio, Selma do Carmo Gil Lange, 47, irmã do taxista, foi morta com três tiros na cabeça quando levava, de carro, os dois filhos para a escola. Segundo testemunhas, os tiros foram disparados por dois homens em uma moto.
Um mês depois, o estudante Luiz Guilherme Gil, 13, filho do taxista e sobrinho de Lange, foi morto na porta de casa com dois tiros. Testemunhas também apontaram dois homens em uma moto como os autores.
O delegado Ribeiro disse que Lange foi morta porque, após desentendimento com Oliveira, teria ameaçado denunciá-la por participação em esquema de compra de precatórios.
"Embora não seja crime comprar precatórios, a divulgação desse esquema poderia atrapalhar os negócios dela [Oliveira]. Por isso houve atentados e mortes, como tentativa de calar essas pessoas", disse o promotor Antônio Osório.
Luiz Guilherme foi morto por engano, segundo a polícia. Para o delegado, o alvo era seu irmão, envolvido com traficantes. "A intenção era justamente fazer parecer que traficantes haviam cometido os dois crimes, devido à dívida que o rapaz [irmão] tinha", disse.
Outro lado
O advogado Antônio Carlos dos Santos, que defende Oliveira, disse hoje que sua cliente é inocente. "Ela nega que seja a mandante desses crimes. É uma senhora de 62 anos, com dois cursos universitários e que tem problemas de saúde. Não deve nada e vai dar todos os esclarecimentos", disse.

