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Cotidiano
13/08/2008 - 20h00

Para Metrô, apenas empresas da cratera são aptas a nova obra

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RENATO SANTIAGO
CLAYTON FREITAS
da Folha Online

As construtoras Queiroz Galvão, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e OAS foram consideradas pelo Metrô de São Paulo as únicas aptas a participar da licitação para a construção de via permanente e do sistema de terceiro trilho da expansão da linha 2-Verde do sistema, entre a estação Alto do Ipiranga até Vila Prudente. A concorrência prevê também o pátio de manutenção e estacionamento Tamanduateí, e respectivas vias de acesso.

A escolha pelas construtoras ocorreu mesmo com a presença de uma "mancha" em seus currículos: todas fazem parte, junto com a Odebrecht, do consórcio Via Amarela, responsável pela construção da linha 4-Amarela do metrô. Em janeiro de 2007, um dos canteiros de obra da linha ruiu, matando sete pessoas.

A expansão da linha 2-Verde até a Vila Prudente já está em obras. Em março deste ano, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e o secretário estadual de Transportes Metropolitanos, José Luiz Portela, anunciaram a expansão até a estação Oratório. Na mesma época o governo do Estado também prometeu construir a linha 6-Laranja (Freguesia do Ó - São Joaquim) até 2012.

Segundo o Metrô, o edital para a concorrência 40208212 foi publicado no 7 de junho e sete candidatos apresentaram propostas. Apenas três foram considerados aptos por cumprir todos os quesitos: o consórcio Via Permanente Linha 2 (Queiroz Galvão e Camargo Corrêa), a construtora OAS e a Andrade Gutierrez. Os outros foram desconsiderados por não cumprir critérios jurídicos ou técnicos.

Como resultado da decisão do Metrô, a Tejofran e o consórcio formado pela Carioca, Convap e Sutelpa entrou com recurso na Justiça e no próprio Metrô, o que causou o adiamento da abertura dos envelopes com as propostas das empresas.

Na ata que decide pela não-habilitação dos consórcios, a empresa justifica que os desclassificados não conseguiram atestar que atendiam a todos os critérios técnicos. Segundo a Tejofran, sua desclassificação foi injusta porque o Metrô considerou que o consórcio do qual ela faz parte não poderia executar um projeto de massa-mola --projeto de um sistema de anti-vibração e amortecimento de ruído na linha.

A Tejofran contesta, afirmando que a Somafel, empresa portuguesa à qual está associada, já realizou projeto semelhante em Portugal, o que foi desconsiderado pelo Metrô.

Procurada pela reportagem, a estatal afirmou que não comentará o caso até a decisão de seu departamento de licitação e da Justiça. A Engevix, que também foi desclassificada, afirmou que não recorreu. As demais desclassificadas foram procuradas, mas não responderam.

 

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