Promotor torturado foi confundido com policial porque estava armado, diz polícia
LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio
Os criminosos que seqüestraram e torturaram um promotor de Justiça do Rio roubaram sua arma e alguns pertences, segundo afirmou o Ministério Público do Rio nesta sexta-feira. O órgão classificou o crime contra o promotor, que teve seu nome preservado, como seqüestro relâmpago e informou que ele sob o poder dos criminosos por algumas horas. O promotor ficou muito ferido. O caso aconteceu no dia 5 de julho deste ano.
O promotor pertence à Vara da Infância, Juventude e Idoso de Nova Friburgo (região serrana do Estado do Rio). ""Ele está bem, agora não está mais machucado", disse à Folha Online o pai do promotor, que pediu para também não ter seu nome revelado.
O promotor foi abordado pelos criminosos em Icaraí, bairro nobre na zona sul de Niterói. Após rendê-lo, os criminosos perceberam que ele estava armado --com uma pistola autorizada pelo Ministério Público-- e pensaram se tratar de um policial, segundo informações da 77ª Delegacia de Polícia (Icaraí), que registrou o caso.
Inspetores da delegacia afirmaram que os criminosos levaram o promotor ao morro do Cavalão, em Icaraí, mas o comandante do CPAE (Comando de Policiamento de Áreas Especiais da Polícia Militar) da área, tenente-coronel Rosano Augusto, afirmou que o promotor foi levado ao morro Souza Soares, em Santa Rosa. As comunidades são vizinhas.
O promotor relatou, segundo a delegacia, que, após ser torturado, foi libertado pelos criminosos. Um deles ainda desceu o morro com a vítima. A delegacia não informou quanto tempo o promotor ficou em poder dos traficantes.
Na área de abrangência da delegacia de Icaraí, não são comuns casos de seqüestro relâmpago, como o Ministério Público classificou o crime. Nos cinco primeiros meses deste ano e em todo o ano de 2007, não houve nenhum caso do tipo, de acordo com estatísticas criminais da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio. Já os roubos de veículo na área somam 98 só nos cinco primeiros meses de 2008.
A delegada da 77ª DP, Janaína Pelegrino, disse que a chefia da Polícia Civil determinou sigilo no caso. Por meio da assessoria de imprensa, a chefia do órgão informou que só vai divulgar informações sobre o caso quando o inquérito for concluído.
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