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Cotidiano
15/08/2008 - 09h09

Preso por golpes em nome do imperador do Japão

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ARTUR RODRIGUES
do Agora

Um homem de 60 anos foi preso na quinta-feira (14) suspeito de se passar por membro da família imperial japonesa para obter dinheiro ilegalmente de comerciantes, em Sapopemba (zona leste de SP).

Rosário Kazuhak Yamamoto, brasileiro descente de japoneses, levava um caderno consigo no qual estavam anotados nomes e valores dados por pelo menos mil pessoas enganadas por ele, segundo a polícia. Yamamoto é acusado de cobrar entre R$ 100 e R$ 200 de comerciantes para incluí-los em uma lista de pessoas que teriam vantagens entre a comunidade japonesa de São Paulo.

"Ele dizia que era membro da família imperial e da Associação Nikkey Brasil Japão", disse o delegado Arthur Frederico Moreira, titular do 41º DP (Vila Rica, na zona leste), mostrando vários cartões com o nome do suspeito e o da associação, que não existe, segundo a polícia.

Para convencer suas vítimas de que era influente na colônia nipônica da capital, Yamamoto andava sempre com uma pasta com vários exemplares de jornais da comunidade japonesa. Com uma caneta tipo piloto, Yamamoto fazia setas apontando para figuras importantes, inclusive o governante de Tóquio, e falava que se tratava dele em algum evento. "E até que se pareciam", comentou o delegado Moreira.

Yamamoto, que tem três passagens por estelionato em seu histórico criminal, foi preso justamente porque ficou famoso na comunidade japonesa, mas como um vigarista que agia nos últimos dez anos, segundo a polícia. Um e-mail, com o nome a foto dele, passou a circular na internet denunciando o golpe.

"O dono de uma loja pagou R$ 150. Mostrei a foto e perguntei se havia sido [pago] para ele [Yamamoto]. Ele disse que sim e passamos a segui-lo", contou o comerciante Sérgio Tanaka, 48 anos.

Tanaka disse que cruzou com um carro da polícia, fez a denúncia e, pouco tempo depois, Yamamoto foi preso na avenida Barreira Grande.

Segundo o delegado Moreira, Yamamoto confessou ter praticado o golpe. Ontem, ele ainda não tinha advogado constituído. A reportagem não teve acesso ao preso porque, pouco tempo depois de ser detido, ele passou mal e foi levado a um hospital, onde foi medicado. Não havia informações sobre o estado de saúde dele ontem à noite.

 

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