Laudo do IML aponta que bebê morto em creche de SP tinha meningite
da Folha Online
Atualizado às 20h30.
O laudo do IML (Instituto Médico Legal) de São Paulo aponta que o menino Gabriel Santos Ribeira, de sete meses, morto quando estava em uma creche particular da zona norte de São Paulo, tinha meningite viral e que sua morte foi causada por asfixia mecânica, provavelmente provocada pela doença.
O bebê morreu quando estava na creche Pedacinho da Lua, na Vila Medeiros (zona norte). Há duas semanas o Hospital Nipo-Brasileiro, que atendeu o menino Gabriel, informou que exames preliminares apontaram que o bebê estava com meningite viral.
Já o laudo do IML apontou que o menino apresentou encefalopatia aguda de provável natureza viral, pulmões com manchas e restos de vegetais, de um quadro de bronco aspiração.
O documento sugere, segundo a SSP (Secretaria de Segurança Pública), que o que causou a morte de Gabriel foi asfixia mecânica por bronco aspiração, induzida pela meningoencefalite viral. A doença teria feito a criança vomitar e os alimentos trazidos pelo vômito foram aspirados.
O laudo será anexado ao inquérito. O delegado-titular do 90º Distrito Policial (Parque Novo Mundo), Sérgio Alves, que investiga o caso, se recusou a falar sobre o documento e se a investigação tomará um novo rumo.
Troca de acusações
A família de Gabriel acusa a creche de negligência com o garoto na hora da alimentação. Já a creche lamenta a morte e disse que o que ocorreu foi uma tragédia.
O pai do menino, Júlio Cezar Ribeira, 26, disse ter deixado a criança na creche às 11h e retornado para buscá-lo por volta das 14h. Depois de esperar do lado de fora, ele foi chamado às pressas, pois o filho não respirava. Júlio Cezar pegou o menino --que tinha os lábios arroxeados-- e o levou ao Hospital Nipo-Brasileiro.
Conforme o pai, o menino não tinha problemas de saúde quando foi deixado na creche. Ele diz ainda que levou a comida que deveria ser dada ao garoto porque os alimentos servidos na creche não faziam bem à criança.
A família da criança disse que não vai se manifestar sobe a informação do hospital.
A funcionária da creche afirma que Gabriel estava no berçário e que ela só percebeu que o menino não respirava quando foi trocar as fraldas dele, pouco antes de o pai chegar.
Em nota publicada em seu site, a creche afirma que é com "imensa dor e pesar" que lida com a morte de Gabriel.
A creche classificou o fato como "tragédia" e afirmou que "todos os procedimentos recomendados em relação à alimentação, arroto, descanso em posição vertical e colocação para dormir foram adotados".
O advogado Antonio Carbone, que representa a família de Gabriel, disse que o laudo do IML não muda a tese da defesa. "Não mudou nada. A negligência é evidente", disse o advogado.
Nesta terça-feira (19), a Polícia Civil vai ouvir novamente o depoimento dos médicos que atenderam Gabriel.

