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Cotidiano
19/08/2008 - 10h36

Polícia deve ouvir testemunhas do incêndio no Cultura Artística a partir de sexta (22)

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Colaboração para a Folha Online

A Polícia Civil deverá ouvir a partir da sexta-feira (22) testemunhas do incêndio no teatro Cultura Artística, ocorrido na madrugada do último domingo (17) no centro de São Paulo. Segundo a polícia, ainda é cedo para o colhimento dos depoimentos.

"É melhor esperar algum parecer da perícia para chamar as testemunhas", disse o delegado Roberto Carvalho Naves, titular do 4º DP (Consolação), onde o caso foi registrado.

Ontem (18), técnicos da Polícia Técnico-Científica de São Paulo foram até o teatro para averiguar as condições do edifício. "O material carbonizado --madeira, pedaços de tecido-- será analisado para descobrir o que ocasionou o incêndio", disse o engenheiro da Polícia Científica, Ivo Valentini, que fez a vistoria no prédio.

Valentini afirmou que o prédio corre risco de desmoronar. "A área do palco é a que mais corre risco." Ele acrescentou que a fachada, feita pelo pintor Di Cavalcanti, a princípio não corre risco de desabar.

O Corpo de Bombeiros não descarta a hipótese de um balão ter causado o incêndio. "Essa possibilidade ainda está sendo analisada", disse na segunda-feira o coronel do Corpo de Bombeiros João dos Santos.

Além da sala principal, a Esther Mesquita, com capacidade para 1.156 lugares, a aparelhagem técnica, de iluminação, palcos, platéia, todos os camarins e cenários das duas peças em cartaz foram completamente destruídas. "Mas conseguimos preservar a parte de baixo, os prédios vizinhos e a fachada do [pintor] Di Cavalcanti", disse Santos.

Em entrevista à rádio CBN, o responsável pelo departamento de relações institucionais da Sociedade Cultura Artística, Eric Klug, afirmou que uma nova estrutura pode ser montada em outro endereço, caso não seja possível reconstruir o teatro na rua Nestor Pestana. Ele não deu detalhes a respeito.

Programação

Parte das apresentações programadas para o Cultura Artística será remanejada para outros espaços, segundo Gérarld Perret, superintendente da Sociedade de Cultura Artística, entidade responsável pelo teatro. "A programação dos concertos será mantida, iremos encontrar outros espaços para eles. Já as peças, quem decidirá será a direção de cada uma delas", afirmou.

Ele disse que conversou com o ator Marco Nanini, que tinha a peça "O Bem Amado" em cartaz. "Ele me informou que deverá dar a temporada da peça como encerrada." Segundo Perret, o seguro do teatro está avaliado em cerca de R$ 4 milhões.

Perda e luto

O incêndio "matou" duas obras de arte da música: os dois pianos Steinway, que viviam no teatro. O instrumento vale cerca de US$ 130 mil, mas só para trazê-lo de seu berço, a alemã Hamburgo, gastou-se mais de U$ 20 mil.

A diretora artística do complexo, Gioconda Bordon, falou em luto devido à perda da sala principal. Depois do cálculo dos estragos, o próximo passo da diretoria é ver como será feita a retomada das agendas, que estava programada com espetáculos até novembro.

O inquérito que investiga as causas do incêndio é conduzido pelo 4º Distrito Policial (Consolação). Um porteiro do teatro já foi ouvido pela polícia e equipes do Instituto de Criminalística farão perícia no local.

Espetáculos

A notícia se espalhou rapidamente pelo meio artístico, facilitando a transferência do espetáculo da Orquestra Filarmônica de Liège, que se apresentaria no Cultura Artística hoje (18) e amanhã (19). "A orquestra chegou nesta madrugada, tínhamos que dar um jeito."

O evento foi transferido para o Teatro Municipal, na segunda-feira, às 21h, e para a Sala São Paulo, na terça (19), no mesmo horário. Quem já adquiriu os ingressos, podem apresentá-los na entrada dos teatros.

As apresentações das duas peças teatrais em cartaz no Cultura Artística, "O Bem Amado" e "Toc Toc", de Alexandre Reinecke, foram canceladas. De acordo com a diretora, quem já comprou ingressos para apresentações futuras será ressarcido.

 

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