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Cotidiano
19/08/2008 - 18h40

Mais da metade dos moradores do RJ não confia na PM, diz pesquisa

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LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio

Ser vítima de bala perdida é o maior medo atual dos cariocas e moradores da região metropolitana do Rio. Foi o que responderam 57% dos 4.500 entrevistados em levantamento do ISP (Instituto de Segurança Pública), órgão ligado à Secretaria de Segurança do Rio, divulgado na tarde desta terça-feira. O estudo também revela alto grau de desconfiança da população em relação a policiais militares.

No último ano, um quinto dos entrevistados (21,7%) foi vítima de um dos 21 tipos de crimes elencados na pesquisa (agressão, furto, tentativa de furto, roubo e tentativa de roubo de veículo, furto, tentativa de furto, roubo e tentativa de roubo de itens do veículo, vandalismo em veículo, roubo, tentativa de roubo, furto e tentativa de furto de outro bem, acidente de trânsito, estelionato, arrombamento de casa, agressão sexual, roubo e tentativa de roubo de casa).

Com esses novos dados, a idéia do ISP é identificar as chamadas subnotificações --ocorrências não registradas em delegacias e, com isso, não contabilizadas pelos índices de criminalidade do Estado do Rio-- e traçar um perfil das vítimas da violência na região e os impactos dos crimes na vida delas.

A pesquisa revelou uma contradição na relação da população com a Polícia Militar. Cinquenta e seis por cento dos entrevistados disseram não confiar nos policiais militares, e apenas 0,4% respondeu que confia na corporação. A Polícia Civil não conquista a confiança de 42,9% dos entrevistados.

No entanto, a maioria dos entrevistados apontou ver mais qualidades que defeitos nos policiais. Em resposta estimulada, os policiais foram classificados como "íntegros/dentro da lei" por 69.7% dos entrevistados, "educados/corteses" por 68,1%, "prestativos/interessados" por 60,1% e "rápidos/ágeis" por 60%. Já nas características negativas, sempre uma minoria dos entrevistados concordavam com elas: 33% classificaram os policiais como "relaxados/displicentes", 24,5% como "aproveitadores/oportunistas", 14% como "preconceituosos/racistas" e 13,7% como "agressivos/violentos".

Questionados sobre o maior medo em relação à violência, 57% responderam que temem ser vítimas de bala perdida, à frente de 43,5% que sentem receio de ficar no meio de tiroteio. Ser agredido ou extorquido por policiais foi o temor menos apontado pelos entrevistados (8,9%).

Apesar dos temores e da falta de confiança nos policiais, poucos gastam com segurança própria. A maior parte dos entrevistados (80,1%) afirmou não ter este tipo de gasto.

Os pesquisadores observaram também relação entre a renda e a incidência de crimes. Segundo a pesquisa, pessoas com renda familiar entre 15 e 20 salários mínimos tem 15,7% mais chances de passarem por episódios de violência em mais de uma ocasião que pessoas sem rendimento.

Disque-denúncia

A pesquisa mostra também que a população fluminense conhece pouco os serviços públicos de segurança mencionados pelos entrevistadores (Disque-Denúncia, central de emergências, corregedoria de polícia, juizados especiais criminais, ouvidoria de polícia e conselho comunitário de segurança). Em todos eles, ao menos 20% dos entrevistados afirmaram nunca ter ouvido falar dos serviços. O conselho comunitário de segurança foi apontado como desconhecido pela maioria (55%).

O Disque-Denúncia, o mais conhecido, foi também o mais bem avaliado. Entre os entrevistados, 67,3% avaliaram como ótimo ou bom o serviço, que é na verdade uma ONG financiada pelo governo do Rio.

O levantamento foi realizado durante dois anos em toda a região metropolitana do Rio de Janeiro. Em uma primeira fase, pesquisadores percorreram 75 mil residências para realizar pesquisas de campo. Na fase final, com os dados colhidos nas pesquisas de campo, os entrevistadores aplicaram um questionário a 4.500 pessoas, entre elas 53,7% moradores da capital fluminense, 42,5% de cor branca, 25,5% com o Ensino Médio completo e 72,8% com renda familiar mensal entre um e cinco salários mínimos.

 

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