Tráfico expulsa famílias de favela no Rio; governo busca solução para refugiados urbanos
LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio
Ao menos 20 pessoas já foram expulsas da favela da Carobinha, na zona oeste do Rio, por causa de conflitos travados entre traficantes e milicianos pelo controle de atividades ilegais em favelas da região. Nesta quarta-feira, sete pessoas apareceram mortas na favela do Barbante, que fica próxima à Carobinha, por causa do mesmo conflito, segundo a Polícia Militar.
Na terça-feira (19), cinco famílias, totalizando cerca de 20 pessoas, foram a uma escola municipal em Campo Grande (zona oeste) para pedir abrigo, segundo a Secretaria Municipal de Assistência Social do Rio. As famílias foram expulsas da favela da Carobinha pelos traficantes que invadiram a comunidade, afirmou o secretário da pasta, Marcelo Garcia. Segundo ele, todos os expulsos têm algum grau de parentesco com os milicianos que controlavam atividades ilegais na Carobinha.
As famílias são mantidas nesta quarta-feira em um hotel pela prefeitura, mas a Secretaria de Assistência Social informou que ainda estuda um destino para elas.
"Voltar para Carobinha eles não podem, então ainda estamos debruçados para estudar um destino para eles. É uma situação inédita e crescente", disse Garcia. "Não temos estrutura preparada da cidade para refugiados de guerra urbana. É um atendimento diferenciado, temos que ter uma estratégia".
Garcia disse já ter comunicado o problema à Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, mas a secretaria ainda não se manifestou. Ele afirmou que também discutirá o problema com o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame. A secretaria afirmou que não vai comentar o assunto.
"Já tínhamos apontado o mesmo problema na semana passada, quando 12 famílias foram expulsas em Vigário Geral [na zona norte do Rio, onde as facções criminosas Comando Vermelho e Terceiro Comando travam disputa pelo controle do tráfico de drogas]".
Na favela do Barbante, próxima a da Carobinha, ao menos quatro pessoas morreram desde a noite de terça-feira, quando, segundo a PM (Polícia Militar), traficantes da facção criminosa Comando Vermelho invadiram a favela. Até então, as atividades ilegais do local eram controladas pela milícia Liga da Justiça, cujo chefe, segundo a polícia, é o deputado estadual Natalino Guimarães (sem partido), que está preso.
A 35ª Delegacia de Polícia (Campo Grande), que investiga o caso, afirmou nesta tarde que já contabiliza sete mortos na favela.
Entre os mortos, está o comerciante Arivaldo da Silva Nunes, 37, que foi encontrado na terça-feira em frente ao mercado que ele era dono, na rua Esmeraldo.
Nesta quarta-feira, dois outros corpos foram encontrados: o de Bruno Sérgio Manhães Aires Batista, 27, dentro de um Peugeot na rua Beira-Rio e outro, também não identificado, na mesma rua. Todos estavam com marcas de tiros, de acordo com a PM.
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