Policiais mataram moradores na favela do Barbante, diz polícia
LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online
Ao menos cinco policiais e um bombeiro estão entre os assassinos de sete moradores da favela do Barbante, na zona oeste do Rio, entre a noite de terça-feira e a tarde de ontem, segundo a Polícia Civil.
O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, apontou Luciano Guimarães, filho do vereador Jerônimo Guimarães, o Jerominho (PMDB), como mandante e ainda um dos executores da chacina. Beltrame foi hoje à Assembléia Legislativa do Rio discutir o tema com deputados da CPI das Milícias.
O secretário confirmou a versão da polícia de que os ataques foram uma tentativa da milícia de forjar uma invasão de traficantes para tentar convencer os moradores de que o grupo é necessário na favela.
Segundo o delegado Marcos Neves, o grupo que assassinou os sete moradores é formado por 17 integrantes da milícia conhecida como Liga da Justiça, que age em várias favelas da zona oeste. Desses, três são policiais militares, dois são policiais civis e um é do Corpo de Bombeiros.
Dez deles já foram identificados. A Justiça, segundo Neves, já decretou a prisão preventiva deles. Ninguém foi encontrado nesta quinta-feira, mas o delegado afirmou esperar resultados ainda nesta tarde. O Luciano Guimarães já tinha mandado de prisão expedido, mas também permanece foragido.
Beltrame afirmou que a ação foi uma tentativa desesperada da Liga da Justiça de tentar manter algum domínio na região. Segundo investigações da Polícia Civil, as atividades comerciais ilegais --venda de gás, instalação de TV a cabo ilegal e transporte clandestino-- feitas pelo grupo caíram até 90%.
"É mais uma maneira estúpida e burra deste grupo, uma medida desesperada no sentido de persuadir à população de que é melhor ficar com a milícia, mas hoje sabemos que ela é tão ou mais perigosa que outros grupos criminosos".
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