Comerciantes, motorista e funcionário da Caixa estão entre mortos em chacina no Rio
LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio
Dois comerciantes, um funcionário da CEF (Caixa Econômica Federal) e um motorista estão entre os sete mortos na chacina da favela do Barbante, na zona oeste do Rio, de acordo com o inquérito da Polícia Civil sobre o caso. Sete corpos foram encontrados entre a noite de terça-feira (19) e a tarde de quarta-feira (20), em suposta ação da milícia Liga da Justiça, que atua na região. Ao menos cinco policiais e um bombeiro estão entre os assassinos, diz a Polícia Civil.
De acordo com a Polícia Civil, os milicianos tentaram forjar uma invasão de traficantes à favela --uma das áreas de atuação da Liga da Justiça-- para reconquistar a confiança dos moradores. Para isso, entraram, em um grupo de 17 homens encapuzados, na favela na noite de terça-feira e atiraram aleatoriamente contra os moradores, atingindo sete deles.
"Todas as pessoas que foram identificadas como vítimas não têm nenhum vínculo nem com o tráfico de drogas nem com milícia", declarou nesta quinta-feira o delegado Marcus Neves, da 35ª Delegacia de Polícia (Campo Grande), que investiga o caso.
Entre os mortos, a polícia já identificou cinco: Arivaldo da Silva Nunes, 37, que era dono de um mercado na rua Esmeraldo e foi encontrado morto em frente ao estabelecimento, o comerciante Francisco Rezende de Oliveira, o motorista Bruno Sérgio Manhães Aires Batista, o funcionário da CEF Dário Leoneza e Maicon de Azevedo Portela, que não teve a profissão confirmada.
Dois corpos ainda não foram identificados, mas a delegacia de Campo Grande afirmou ter colhido depoimentos informais na favela do Barbante dando conta de que eram moradores sem vínculo com o crime.
O corpo Arivaldo Nunes foi enterrado no fim da tarde de quarta-feira no cemitério de Santa Cruz (zona oeste). Já o sepultamento de Maicon de Azevedo Portela aconteceu nesta quinta-feira no cemitério de Campo Grande (zona oeste) e o de Bruno Aires Batista e Francisco de Oliveira, no cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap (zona oeste).
A CEF confirmou que Dário Leoneza era funcionário da instituição e informou que ele trabalhava como auxiliar de serviços gerais na agência da rua do Rosário, no centro do Rio. A Caixa ainda não soube dizer se o corpo do funcionário já foi enterrado.
Leoneza e os outros seis moradores foram atingidos por tiros disparados aleatoriamente pelos supostos milicianos, segundo o secretário estadual de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame. O secretário ratificou na manhã desta quinta-feira a versão da Polícia Civil de que a chacina foi de autoria da Liga da Justiça e apontou como mandante dos assassinatos o ex-policial militar Luciano Guimarães, filho do vereador Jerônimo Guimarães (PMDB), o Jerominho, apontado como o chefe Liga da Justiça. Jerominho está preso mas nega o crime e se diz perseguido na zona oeste. Guimarães está foragido.
"[A chacina] foi mais uma maneira estúpida, violenta e burra desse grupo [Liga da Justiça]. É uma medida desesperada, totalmente inconseqüente", declarou Beltrame. "O [crime] no Barbante foi uma atuação do Luciano, já temos a certeza praticamente que foi uma obra dele, no sentido de persuadir e de mostrar força para a população de que a milícia, em tese, não deixaria o tráfico entrar, que é melhor ficar com a milícia".
A Polícia Civil afirmou que dez dos 17 autores dos assassinatos já foram identificados, mas nenhum deles foi preso até o fim da tarde desta quinta-feira.
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