Dois morrem em confronto em favela próxima ao local de chacina no Rio
Colaboração para a Folha Online, no Rio
Dois homens morreram em operação da Polícia Militar do Rio na favela da Carobinha, em Campo Grande (zona oeste do Rio), na tarde desta terça-feira. A favela, que era uma das áreas de atuação da milícia Liga da Justiça, foi invadida na semana passada por traficantes da ADA (Amigos dos Amigos), de acordo com a Polícia Civil.
A comunidade da Carobinha fica próxima à favela do Barbante, onde sete moradores foram assassinados na noite de terça-feira (19). Integrantes da Liga da Justiça, entre eles três policiais militares, dois civis e um bombeiro, foram os autores do crime, segundo o delegado Marcus Neves, da 35ª Delegacia de Polícia (Campo Grande), que investiga o caso.
Nesta tarde, segundo o Regimento de Polícia Montada da PM, houve confronto na favela da Carobinha com traficantes da ADA. Dois homens, que segundo a PM eram criminosos, foram baleados e levados para o hospital Rocha Faria, em Campo Grande. Os homens, que não foram identificados e aparentavam ter cerca de 20 anos, já chegaram mortos no hospital, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde do Rio.
Por causa dos recentes conflitos, a polícia faz incursões nas favelas desde a noite de terça-feira. A favela do Barbante está ocupada pelos policiais.
Também nesta quinta-feira, o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), classificou a chacina de inconcebível, mas negou haver falta de policiamento no local. "Estamos com uma quantidade de policiais civis e militares muito intensa naquela região. As conquistas até agora foram exatamente por um reforço de contingente", declarou.
"Não é concebível ter esse tipo de acontecimento, não pode achar isso normal. Temos que lutar por uma sociedade onde a tranqüilidade seja a garantia da comunidade. Não se pode achar que tem que botar um soldado em cada quarteirão em função de ter esses milicianos atuando".
De acordo com a polícia, alguns integrantes da Liga da Justiça continuam na favela do Barbante, mas estão escondidos. Nos últimos seis meses, o grupo perdeu cerca de 80% do faturamento com atividades ilegais como venda de gás, instalação de TV a cabo e transporte clandestinos que exerce na zona oeste, conforme investigações da 35ª DP.
Moradores assassinados
A Polícia Civil identificou cinco dos sete moradores assassinados: Arivaldo da Silva Nunes, 37, que era dono de um mercado na rua Esmeraldo e foi encontrado morto em frente ao estabelecimento, o comerciante Francisco Rezende de Oliveira, o motorista Bruno Sérgio Manhães Aires Batista, o funcionário da CEF Dário Leoneza e Maicon de Azevedo Portela, que não teve a profissão confirmada.
Dois corpos ainda não foram identificados, mas a delegacia de Campo Grande afirmou ter colhido depoimentos informais na favela do Barbante dando conta de que eram moradores sem vínculo com o crime.
O corpo Arivaldo Nunes foi enterrado no fim da tarde de quarta-feira no cemitério de Santa Cruz (zona oeste). Já o sepultamento de Maicon de Azevedo Portela aconteceu nesta quinta-feira no cemitério de Campo Grande (zona oeste) e o de Bruno Aires Batista e Francisco de Oliveira, no cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap (zona oeste).
A CEF informou que Dário Leoneza era trabalhava como auxiliar de serviços gerais na agência da rua do Rosário, no centro do Rio. A Caixa ainda não soube dizer se o corpo do funcionário já foi enterrado.
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