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Cotidiano
22/08/2008 - 12h14

Suposto matador de milícia do Rio é preso em São Vicente (SP)

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LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio

A Polícia Civil prendeu na quinta-feira (21) em São Vicente (65 km de SP) Leandro Paixão Viegas, 29, apontado como um dos principais integrantes da milícia Liga da Justiça, --acusada de assassinar sete moradores da favela do Barbante (zona oeste do Rio). Conhecido pelo apelido de Leandrinho "Quebra-Ossos", ele estava foragido da Justiça do Rio, e foi preso em flagrante com documentos falsos em uma pousada.

Dezessete integrantes da milícia Liga da Justiça foram os autores dos assassinatos da favela do Barbante, segundo o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame. Leandrinho "Quebra-Ossos" não estava no grupo, de acordo com o delegado Marcus Neves, da 35ª Delegacia de Polícia (Campo Grande), que investiga o caso.

Apontado como um dos matadores da Liga da Justiça, ele foi encontrado em uma pensão na rua Rangel Pestana, em São Vicente, após policiais de Santos (72 km de SP) receberem denúncia de que um suposto foragido da Justiça do Rio estava no local, segundo a Secretaria Estadual de Segurança de São Paulo. Ele foi preso no quarto onde estava hospedado. Viegas portava documentos falsos.

Segundo a secretaria, em depoimento ele confessou ser foragido da Justiça e afirmou ter se hospedado na pensão após ter visto uma reportagem que citava um retrato falado seu. Viegas ainda levou os policiais ao apartamento que alugava no centro de São Vicente, na rua Candido Rodrigues, desde que fugiu do Rio.

Ele teve mandado de prisão expedido pela Justiça do Rio em dezembro de 2007, quando foi preso o vereador Jerônimo Guimarães (PMDB), apontado como o chefe da Liga da Justiça.

Os policiais conseguiram confirmar que Leandrinho "Quebra-Ossos" estava foragido. No apartamento os agentes apreenderam um Toyota Corolla, um notebook e um celular, de acordo com a Secretaria de Segurança de São Paulo.

O suposto criminoso está preso em São Paulo, e a Polinter (Polícia Interestadual) negocia com a Polícia Civil de São Paulo a transferência dele para o Rio nesta sexta-feira.

"Ele não participou da chacina no Barbante, mas é um dos principais membros da Liga da Justiça", disse na manhã desta sexta-feira o delegado Marcus Neves.

Milícia

A Liga da Justiça é apontada por Neves como a maior milícia do Rio, com a exploração de atividades comerciais ilegais, como venda de gás, instalação de TV a cabo e transporte clandestinos, em favelas e comunidades de baixa renda no Rio. Segundo a Polícia Civil, os chefes do grupo são o deputado estadual Natalino Guimarães (sem partido) e o vereador Jerônimo Guimarães, que são irmãos. Ambos estão presos.

Para tentar fortalecer o seu domínio em favelas da zona oeste, a milícia forjou uma invasão de traficantes à favela do Barbante na noite de terça-feira, de acordo com a Polícia Civil do Rio. Encapuzados e com fuzis, 17 integrantes da milícia assassinaram sete moradores da favela, identificados como inocentes, e picharam inscrições do tráfico em muros da favela.

Entre os assassinos, estão três policiais militares, dois civis e um bombeiro, foram os autores do crime, segundo o delegado Marcus Neves. Nenhum deles foi preso até a manhã desta sexta-feira.

 

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