Perícia reconstitui morte de bebê em creche particular em SP
Colaboração para a Folha Online
Peritos do IC (Instituto de Criminalística) de São Paulo realizaram nesta segunda-feira a reconstituição da morte do menino Gabriel Santos Ribeira, de sete meses, em uma creche particular da zona norte de São Paulo. Inicialmente a Polícia Técnico-Científica iria realizar apenas a medição do local, mas, após análise, os peritos decidiram fazer a reconstituição.
O menino morreu no dia 25 de julho na creche Pedacinho da Lua, na Vila Medeiros (zona norte). Segundo laudo do IML (Instituto Médico Legal), o menino apresentou encefalopatia aguda de provável natureza viral. O documento sugere, segundo a SSP (Secretaria de Segurança Pública), que o que causou a morte de Gabriel foi asfixia mecânica por bronco aspiração, induzida pela meningoencefalite viral. A doença teria feito a criança vomitar e os alimentos trazidos pelo vômito foram aspirados.
Segundo a defesa da creche, a perícia apontará que a versão da escola --de que o menino não aparentou estar passando mal no dia de sua morte-- é verdadeira. "Foi provado que funcionários da escola estavam presentes quando dos fatos", disse o advogado Roberto Rinaldi.
Uma funcionária da creche afirma que Gabriel estava no berçário e que ela só percebeu que o menino não respirava quando foi trocar as fraldas dele, pouco antes de seu pai chegar.
A família de Gabriel, porém, acusa a creche de negligência com o garoto na hora da alimentação. O pai do menino, Júlio Cezar Ribeira, 26, disse ter deixado a criança na creche às 11h e retornado para buscá-lo por volta das 14h. Depois de esperar do lado de fora, ele foi chamado às pressas, pois o filho não respirava. Júlio Cezar pegou o menino --que tinha os lábios arroxeados-- e o levou ao Hospital Nipo-Brasileiro.
Conforme o pai, o menino não tinha problemas de saúde quando foi deixado na creche. Ele diz ainda que levou a comida que deveria ser dada ao garoto, pois os alimentos servidos na creche não faziam bem à criança. A defesa da família de Gabriel não foi encontrada pela reportagem.
De acordo com a SSP (Secretaria da Segurança Pública), a reconstituição contou com a presença de peritos do IC, do delegado Sérgio Alves, do 90º DP (Parque Novo Mundo), de um dos advogados da creche, Alberto Rinaldi, da diretora do estabelecimento, Suzana Leão, do pai do garoto, além de funcionários da escola. O laudo deverá ficar pronto em 30 dias.
Ainda segundo a secretaria, o delegado que acompanha o caso deverá pedir uma complementação ao IML para precisar o horário da morte do bebê.
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