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Cotidiano
26/08/2008 - 16h06

Polícia pede a prisão de 18 por chacina no Rio; número de mortos sobe para oito

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LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio

A Polícia Civil do Rio pediu nesta terça-feira a prisão preventiva de 18 homens acusados de serem os autores da chacina na favela do Barbante, em Campo Grande (zona oeste do Rio), no dia 19 de agosto. Entre eles, há seis policiais militares na ativa, segundo o delegado Marcus Neves, que investiga o caso. Ninguém havia sido preso até a tarde desta terça-feira.

A polícia também identificou uma oitava pessoa assassinada na chacina --até então, sete haviam sido contabilizadas. Moradores da favela do Barbante denunciaram haver um corpo, ainda não identificado, dentro da favela, com marcas de tiros espalhadas pelo corpo e semelhante a dos outros sete mortos na chacina, segundo a 35ª Delegacia de Polícia (Campo Grande), que investiga o caso.

Os oito --todos moradores da favela sem envolvimento com crimes-- foram assassinados na noite do dia 19, quando homens encapuzados e armados de fuzil entraram na favela e atiraram aleatoriamente, atingindo os moradores, segundo o inquérito da 35ª DP.

O delegado Marcus Neves afirmou que os responsáveis pela chacina são integrantes da milícia Liga da Justiça, composta, segundo ele, por policiais e bombeiros da ativa e da reserva e chefiada pelo deputado estadual Natalino Guimarães (sem partido) e seu irmão, o vereador Jerônimo Guimarães (PMDB), ambos presos.

Segundo Neves, os milicianos forjaram uma invasão de traficantes à favela --uma das áreas de atuação da Liga da Justiça-- para reconquistar a confiança dos moradores. Nas últimas semanas, o grupo miliciano perdeu o controle de pelo menos duas favelas da zona oeste para traficantes, segundo a Polícia Civil.

Procurado pela Folha Online, o Ministério Público ainda não se pronunciou sobre a análise do inquérito entregue pela Polícia Civil. Na semana passada, o delegado Marcus Neves chegou a dizer que cinco dos 18 suspeitos pela chacina já estavam com prisão decretada, mas nesta terça-feira afirmou que eles apenas haviam sido identificados e só tiveram a prisão pedida nesta tarde.

Entre os 18 suspeitos está o filho do vereador Jerônimo Guimarães, Luciano Guimarães, que já tem outros mandados de prisão expedidos pela Justiça e está foragido, de acordo com a Polícia Civil. Na semana passada, o delegado afirmou que, além de planejar a chacina, Luciano Guimarães também participou de alguns dos assassinatos.

A irmã de Guimarães, Carminha Jerominho, negou as acusações e afirmou que sua família sofre perseguição do delegado.

Moradores assassinados

A Polícia Civil identificou cinco dos oito moradores assassinados na chacina: Arivaldo da Silva Nunes, 37, que era dono de um mercado na rua Esmeraldo e foi encontrado morto em frente ao estabelecimento, o comerciante Francisco Rezende de Oliveira, o motorista Bruno Sérgio Manhães Aires Batista, o funcionário da Caixa Econômica Federal Dário Leoneza e Maicon de Azevedo Portela.

Três corpos ainda não foram identificados, mas a delegacia de Campo Grande afirmou ter colhido depoimentos informais na favela do Barbante dando conta de que eram moradores sem vínculo com o crime.

 

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