Doleiros presos em operação da PF lavavam dinheiro para o PCC
YGOR SALLES
da Folha Online
A Polícia Federal informou nesta terça-feira que os doleiros presos durante a Operação Downtown trabalhavam na lavagem de dinheiro e distribuição de valores para integrantes da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), traficantes nigerianos e comerciantes chineses da região da rua 25 de Março, região central de São Paulo.
A operação desmontou a suposta quadrilha, que atuava principalmente naquela região --motivo pelo qual foi dado o nome de Downtown para ela.
Segundo o delegado regional de combate ao crime organizado da PF de São Paulo, José Alberto Iegas, os doleiros faziam o repasse de dinheiro da distribuição dos lucros das atividades do PCC aos membros da organização que estão fora dos presídios e também aos familiares dos que estão presos. "Havia uma relação de confiança entre os doleiros e o PCC", disse o delegado.
No caso dos nigerianos, o trabalho feito era mandar os dólares para a África do Sul. Por fim, os comerciantes chineses da 25 de Março utilizavam do serviço dos doleiros para enviar dinheiro ilegalmente para fora do país e também para o pagamento de material contrabandeado que era vendido nas suas lojas.
Iegas ressaltou ainda que é possível que o PCC também tivesse usado do esquema para mandar dinheiro para o exterior.
Todos os presos na operação eram doleiros --sendo dez em São Paulo, quatro em Minas Gerais e um no Rio. Sobre os traficantes e comerciantes investigados na operação, Iegas informou que serão alvo de novas investigações.
A suposta quadrilha começou a ser investigada há seis meses, com base em informações dos bancos de dados da PF e, principalmente, em informações obtidas por meio de detentos de um presídio da Grande São Paulo. Iegas não quis revelar de qual unidade se tratava, pois a informação poderia atrapalhar as próximas investigações.
Ao todo foram presas 15 pessoas e emitidos 50 mandados de busca e apreensão nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio e Santa Catarina. Durante as diligências foram encontrados R$ 1,1 milhão em dinheiro --principalmente em reais, dólares e euros. "Mas esse valor pode ser maior, já que algumas diligências ainda não retornaram [para a sede da PF]", afirmou Iegas.
Os doleiros presos deverão responder pelos crimes de evasão de divisas, lavagem de dinheiro, contrabando e descaminho, sonegação fiscal e formação de quadrilha.
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