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Cotidiano
29/08/2008 - 09h56

Para médicos, lei contra cigarro evita dano aos fumantes passivos

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RACHEL COSTA
Colaboração para a Folha de S.Paulo

Médicos entrevistados pela Folha afirmam que é positiva a lei que bane o cigarro dos ambientes coletivos fechados no Estado de São Paulo.

Eles relacionam como os principais benefícios da lei antifumo o incentivo ao combate do vício, a prevenção de danos à saúde e o fim da imagem de "status" que o cigarro confere ao usuário.

"O tabagismo passivo mata", enfatiza a presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas, Analice Gigliotti. A médica cita os dados divulgados pelo Inca (Instituto Nacional de Câncer), na última semana, que apontaram que acontecem cerca de sete mortes por dia de fumantes passivos no Brasil.

A coordenadora do Departamento de Dependência Química da Associação Brasileira de Psiquiatria, Ana Cecília Marques, afirma que o impacto da medida está em proibir o cigarro onde seus malefícios estão mais evidentes. "Na rua, o cigarro não é o poluente mais agressivo, mas, em ambientes fechados, ele é."

Os especialistas acreditam que reduzir os espaços onde o fumo é permitido pode modificar os hábitos dos fumantes. De acordo com João Manuel Pedroso, professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e superintendente da Vigilância Sanitária do município do Rio, o ato de fumar é, em parte, uma questão social, de compartilhamento de hábitos.

Outro aspecto da proibição é a associação de uma imagem negativa ao fumo, o que evitaria que crianças seguissem esse exemplo no futuro. "[Com a lei,] Fumar passa a ser algo errado", sintetiza Analice, lembrando que meninos e meninas que têm pais fumantes estão mais sujeitos a doenças como infecções respiratórias e câncer de pulmão.

Fiscalização

No entanto, de acordo com os médicos, para que haja uma mudança real, não basta a existência da lei. "O impacto só será positivo se tiver fiscalização", avalia o médico do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP Arthur Guerra de Andrade.

"O mais importante para dar certo é a parte educativa, depois vem a punitiva", avalia Pedroso, superintendente da Vigilância Sanitária.

A expectativa dos especialistas é que iniciativas semelhantes espalhem-se por todo o país. De acordo com Pedroso, o ideal seria a existência de uma lei federal, no entanto, enquanto isso não acontece, medidas tomadas por Estados e municípios são muito bem-vindas, na opinião dele.

No Rio de Janeiro, medida semelhante foi tomada em 12 de maio deste ano, com o decreto nº 29.284. Em apenas um mês, foram recebidas 3,5 vezes mais denúncias que o número anterior registrado por ano -que era de 40 casos.

 

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