Governo de SP troca o comando das delegacias da capital
ANDRÉ CARAMANTE
LUIS KAWAGUTI
da Folha de S.Paulo
O delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Maurício José Lemos Freire, tirou na noite de ontem (29) o também delegado Aldo Galiano do cargo de diretor do Decap (Departamento de Polícia Judiciária da Capital), setor da corporação que coordena as ações dos 93 distritos policiais e das oito delegacias seccionais da capital.
Para o lugar de Galiano no Decap, Freire nomeou o delegado Marco Antonio de Paula Santos, até então delegado seccional da Polícia Civil em São Bernardo do Campo (ABC). Galiano havia assumido o Decap em 3 de janeiro de 2007.
A Folha procurou Freire na noite de ontem para que ele explicasse os motivos da alteração no comando do Decap, mas, de acordo com sua assessoria de imprensa, o delegado-geral estava em uma reunião e não poderia falar.
O secretário da Segurança Pública, Ronaldo Marzagão, também foi procurado pela reportagem. De acordo com um de seus assessores de imprensa, Ênio Lucciola Lopes Gonçalves, ele se manifestaria por meio de nota oficial, mas isso não ocorreu até a conclusão da edição de ontem do jornal.
Policiais ouvidos pela reportagem sustentam que Galiano foi afastado do Decap por não aceitar a ingerência de Freire nos distritos policiais e nas delegacias seccionais da capital.
No embate mais recente entre Galiano e Freire, o delegado-geral determinou que todos os delegados de 2ª classe titulares de distritos policiais, menos os que são ligados a ele, fossem afastados das chefias das delegacias que comandavam.
Galiano não quis afastar apenas os delegados que não têm amizade com Freire e acabou punido por isso.
Outro forte motivo para o afastamento de Galiano, ainda segundo a versão dos policiais civis do Decap, foi o fato de ele querer tirar do comando do 15º DP (Itaim) o delegado Reinaldo Vicente Castello. O delegado-geral foi contra.
Além de ser ligado a Freire, Castello é amigo do advogado Lauro Malheiros Neto que, até maio, foi secretário-adjunto da Segurança Pública.
Neto deixou o cargo após ser acusado de ligação com o investigador Augusto Peña, preso em abril sob acusação de extorquir integrantes da facção criminosa PCC. Ele negou a acusação. Neto colocou Freire na delegacia-geral.

