Para juiz, é cedo para apontar falha da Justiça no caso de irmãos esquartejados
PAULO TOLEDO PIZA
Colaboração para a Folha Online
O coordenador da Comissão de Infância e Juventude do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador Antonio Carlos Malheiros, afirmou nesta segunda-feira que ainda é cedo para apontar erros por parte da Justiça no assassinato dos irmãos Igor Giovane, 12, e João Vitor, 13.
Os corpos dos dois foram encontrados esquartejados na sexta-feira (5), dentro de sacos de lixo em frente à casa da família, em Ribeirão Pires (SP), na Grande São Paulo.
Após passar nove meses em um abrigo, eles haviam voltado a morar com o pai e a madrasta, o vigia João Alexandre Rodrigues, 40, e a dona-de-casa Eliane Aparecida Rodrigues, 36. O casal é suspeito de cometer o crime.
Dois dias antes de serem mortas as crianças haviam sido levadas à delegacia por um guarda-civil que as encontrara abandonadas na rua. O conselho tutelar foi acionado, mas elas acabaram devolvidas à família.
Malheiros defendeu a atuação do órgão. "Seguiu o procedimento normal, encaminhando os meninos à casa da família, pois eles não aparentavam ter sofrido agressões e nem apresentavam resistência", disse.
Segundo o desembargador, se os garotos tivessem reclamado de agressões, o Ministério Público seria acionado imediatamente. "A Corregedoria do Tribunal de Justiça irá apurar o que ocorreu", disse.
Ao guarda que as encontrou as crianças teriam reclamado de agressões em sua casa. Indagado, Malheiros afirmou que a Corregedoria irá avaliar o caso.
"Precisamos verificar o que eles disseram a esse guarda", afirmou Malheiros, que disse ainda não ter tido acesso a todo o processo.
Imprevisibilidade
Malheiros defendeu ainda a atuação da juíza Isabel Cardoso da Cunha Lopes Enei, da 3ª Vara da Comarca de Ribeirão Pires, que autorizou os garotos a voltar a morar com a família após terem ficado nove meses em um abrigo.
"Os meninos foram afastados da família por serem vítimas de castigos imoderados, nunca pensamos que seriam vítimas de algo como o ocorrido. Caímos naquele vácuo da imprevisibilidade".
Verbas
O desembargador aproveitou a ocasião para reclamar da falta de verbas do Judiciário. "Com uma autonomia financeira do judiciário haverá mais técnicos trabalhando. Dessa forma, os riscos diminuem muito".
Ele ressaltou, no entanto, que o maior número de funcionários não tornaria a Justiça infalível. "Podemos cair no vácuo da imprevisibilidade", repetiu.
Leia mais
- Menina de 5 anos é baleada em operação na favela Beira-Mar (RJ); 2 morrem
- Acusado de pedofilia está sozinho em cela
- Pedreiro é condenado a 20 anos de prisão por morte de menina em igreja de SC
- Começa júri de suspeito de violentar e matar menina em igreja de SC
Especial
- Leia o que já foi publicado sobre violência contra crianças
- Navegue no melhor roteiro de cultura e diversão da internet
Livraria

