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Cotidiano
08/09/2008 - 17h14

Promotoria de SP pede prisão preventiva de Gil Rugai

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PAULO TOLEDO PIZA
Colaboração para a Folha Online

Atualizado às 17h48.

O Ministério Público Estadual de São Paulo entrou na Justiça nesta segunda-feira com pedido de prisão preventiva do ex-seminarista Gil Rugai, acusado de matar o pai e a madrasta em 2004.

Rugai está desde o início do ano vivendo em Santa Maria (RS), onde foi flagrado ontem (7) por reportagem do "Domingo Espetacular", da TV Record, em endereço diferente do informado à Justiça de São Paulo.

Libertado da prisão por ordem do STF (Supremo Tribunal Federal) em junho de 2006, Rugai poderia viajar por todo o país por 15 dias sem comunicar as autoridades. Caso fosse permanecer fora do endereço informado por mais tempo, teria de informar à Justiça.

De acordo com a promotora Mildred de Assis Gonzales, a prisão foi pedida porque o réu não estava só a passeio. "Ele fixou residência até agosto de 2010. Houve uma quebra na confiança que o Estado havia colocado nele", disse a promotora.

Para a promotora, a atitude de Rugai demonstra descaso com a Justiça. Ela avalia que ele nunca deveria ter sido colocado em liberdade.

O pedido de prisão preventiva do ex-seminarista vai ser julgado pelo juiz Luiz Rogério de Oliveira, da 5ª Vara Criminal do Tribunal do Júri de São Paulo, que tem até terça-feira (9) para dar a decisão.

Outro lado

A defesa de Rugai nega que o réu quebrou a confiança ao sair de São Paulo. "O Supremo apenas revogou a preventiva. Não houve nenhuma imposição em seu alvará de soltura", afirmou o advogado Fernando José da Costa.

De acordo com o defensor, Rugai, pelo princípio da presunção da inocência, "poderia sair da cidade, do Estado e até do país se quisesse sem que precisasse avisar o judiciário".

O advogado afirmou que o réu deverá voltar a São Paulo ainda nesta segunda-feira. Ele disse, ainda, que gostaria que o processo corresse em segredo de Justiça. "Queremos que a vida de Gil Rugai e de seus familiares pare de ser exposta para que esse rapaz recupere o tempo perdido, para que ele volte a estudar."

Entenda o caso

O empresário Luiz Rugai e sua mulher, Alessandra, foram assassinados a tiros em casa, em Perdizes (bairro nobre da zona oeste de São Paulo) em 2004. Apontado como principal suspeito do crime, Gil Rugai ficou preso por dois anos até ser libertado por ordem do STF (Supremo Tribunal Federal) em junho de 2006.

A investigação da polícia apontou vários indícios contra Gil Rugai. Exames realizados em uma marca de sapato deixada na porta da sala de vídeo --onde o empresário teria tentado se esconder e que foi arrombada-- apontara que quem arrombou a porta teria lesões no pé. O IC (Instituto de Criminalística) realizou então exames de ressonância magnética da planta do pé de Gil, que apontaram tais lesões.

Além das provas colhidas na casa, a polícia levantou a hipótese de o crime ter ligação com o afastamento de Gil da empresa do pai, a Referência Filmes. O ex-seminarista estaria envolvido em um desfalque de cerca de R$ 100 mil na empresa e, por isso, teria sido demitido de seu departamento financeiro. A madrasta, segundo o gerente do banco onde a Referência Filmes tinha conta, proibiu que ele a movimentasse.

 

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