Policiais civis entram em greve em SP; Justiça determina manutenção de 80% do efetivo
da Folha Online
Funcionários de parte dos plantões das delegacias de Polícia Civil da cidade de São Paulo cruzaram os braços nesta terça-feira. Eles informaram que seguem as diretrizes estabelecidas em uma cartilha de greve. Ela define, por exemplo, o que pode ou não ser atendido durante a paralisação. Em geral, só os casos mais graves terão atendimento garantido. Decisão da Justiça porém, determina que eles mantenham 80% do efetivo.
A reportagem da Folha Online constatou por meio de informações passadas por plantonistas que a paralisação já teve início em algumas delegacias. A adesão é maior na zona sul e leste da cidade. Na zona norte e centro, segundo plantonistas, os trabalhos são conduzidos normalmente. Em alguns os plantonistas aguardam um posicionamento do movimento de greve. A paralisação estava prevista para começar às 8h30 de hoje.
O comando do movimento de greve não foi localizado nesta manhã. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que realiza um levantamento em cada distrito policial para averiguar se de fato os serviços estão paralisados ou não. Entretanto, não precisou se será divulgado algum balanço ou não.
Esta é a segunda vez em pouco mais de um mês que a categoria ameaça uma paralisação. No dia 13 de agosto, os policiais civis iniciaram uma greve, suspensa na tarde do mesmo dia, quando uma audiência de conciliação entre sindicatos e governo foi realizada no TRT-SP (Tribunal Regional do Trabalho) da 2ª Região.
Desde então, a categoria está em estado de greve (ou seja, pode paralisar a qualquer momento). Os policiais civis reivindicam aumento de 15% neste ano, 12% em 2009 e 12% em 2010, mais a incorporação dos adicionais no salário. Eles também querem melhores condições de trabalho --como a fixação de 40 horas semanais e critérios claros para promoção. O governo Estadual oferece um adicional de R$ 500 milhões à folha de pagamento, considerado insuficiente pelos grevistas.
A orientação do comando da greve é de que sejam feitos apenas registros de boletins de ocorrência em casos de prisões em flagrante, captura de procurados, homicídios e remoção de cadáveres.
Demais serviços, como emissão de carteira de habilitação, RG e licenciamento de veículos, serão atendidos, porém, com 30% do efetivo, com revezamento de turnos dos servidores. Os manifestantes se apóiam na lei da Greve para manter o efetivo.
Outro lado
Em comunicado divulgado no início da noite de segunda-feira (15), a SSP (Secretaria da Segurança Pública) afirma que o governo do Estado vem negociando intensamente com as entidades que representam os policiais desde o começo do ano um pauta de "valorização das carreiras e concessões de benefícios" e que várias medidas já foram tomadas nesse sentido.
O órgão atribui à "intransigência das entidades representativas" o fato de não chegarem a um acordo na negociação. Segundo a SSP, a categoria insiste "em defender propostas irreais", postura que levou "ao impasse em que se encontram as negociações".
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