STF retoma debates sobre aborto de fetos com anencefalia
KEYLA VIANA DIAS
Colaboração para a Folha Online, em Brasília
O STF (Supremo Tribunal Federal) realiza nesta terça-feira o último ciclo de debates sobre a possibilidade de aborto de fetos anencéfalos. O mediador é o ministro Marco Aurélio Mello, relator da ação que tramita desde 2004, movida pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Saúde.
Quatro especialistas participam da audiência pública. A médica Elizabeth Kipman Cerqueira afirma que a morte cerebral só é constatada após o nascimento, por isso é contrária à interrupção da gravidez logo após o diagnóstico da anencefalia.
"Dentro do útero não é possível determinar a morte encefálica. Quem afirma isso está passando por cima de critérios científicos", afirmou.
Segundo a ginecologista, com 14 semanas se identifica um caso de anencefalia, mas apenas com 24 semanas é que a má-formação se desenvolve, porque o tecido nervoso continua se desenvolvendo mesmo num feto anencefálico. "O feto é vivo. Seriamente comprometido quando nasce, com curtíssimo tempo de vida, mas está vivo", disse Elizabeth.
Também participam da audiência pública a socióloga Eleonora Menecucci de Oliveira, professora titular do Departamento de Medicina Preventiva da Universidade de São Paulo; a ministra Nilcéia Freire, presidente do Conselho Nacional de Direitos da Mulher, da Presidência da República; e Talvane Marins Moraes, médico especializado em psiquiatria forense, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria.
Leia mais
- Procuradoria Geral da República pode mudar parecer sobre aborto de anencéfalos
- Médico critica no STF o aborto de anencéfalos e diz que o "sofrimento purifica"
- Mulher que abortou anencéfalo defende no STF escolha por aborto
- Médicos evitam falar em aborto e defendem "antecipação de parto"
Livraria da Folha
- Livros orientam futuras mamães a ter uma GRAVIDEZ SEGURA
- Livro detalha concepção e GRAVIDEZ depois dos 35 ANOS
Especial

