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Cotidiano
18/09/2008 - 20h23

Prisão de filho de Jerominho dá fim à principal milícia do Rio, afirma Polícia Civil

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LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio

Com a prisão de Luciano Guinâncio Guimarães, filho do vereador Jerônimo Guimarães (PMDB), o Jerominho, nesta quinta-feira, a Polícia Civil do Rio anunciou o fim das atividades da milícia supostamente comandada por Guimarães e Jerominho. Chamada de Liga da Justiça, o grupo, apontado como a principal milícia do Rio, perdeu força e não exerce mais influência em comunidades de baixa renda da zona oeste da cidade, de acordo com o delegado Marcus Neves, da 35ª Delegacia de Polícia (Campo Grande).

Procurado há cerca de três anos, Guimarães foi preso por volta das 10h30 desta quinta-feira em uma fazenda no município de Barbacena (MG) por 12 policiais civis do Rio. Ele estava armado com uma pistola e não resistiu à prisão.

A Polícia Civil afirma ter contra Guimarães quatro mandados de prisão da Justiça do Rio por crimes de homicídio, extorsão e formação de quadrilha e um da Justiça Federal, por crime eleitoral.

Um dos 40 inquéritos que a Polícia Civil afirma ter com investigações de Luciano aponta o preso como o mandante de uma chacina na favela do Barbante, em Campo Grande (zona oeste), no dia 19 de agosto, que deixou oito moradores mortos.

A mando de Guimarães, 18 integrantes da Liga da Justiça, entre eles policiais e bombeiros da ativa, atiraram e mataram os moradores da favela para forjar um ataque de traficantes de drogas no local, de acordo com o delegado.

Neves disse que o suspeito fugiu logo após a chacina para Minas Gerais e estava sendo monitorado pela polícia desde então. Ontem (17), foi preso na fazenda que, segundo Neves, é de um vereador do município que não havia sido identificado até a conclusão desta reportagem. Ao ser preso, Guimarães disse que o político não sabia que ele era foragido e apenas alugou o imóvel para ele, segundo Neves.

Com a prisão, o delegado afirmou que a Polícia Civil fechou um ciclo de crimes em Campo Grande que durou oito anos, tempo que a milícia atuou no bairro.

"Hoje não existe mais organização criminosa em Campo Grande. Agora, temos que impedir a entrada de eventuais novas milícias neste vácuo deixado".

Guimarães será levado ainda hoje para a sede da Polinter, no Rio, mas, segundo a Polícia Civil, deve ser transferido para o presídio federal de Catanduvas (PR), onde está sua irmã Carminha Jerominho, que ainda é candidata a vereadora pelo PT do B. Carminha foi presa no dia 29 de agosto acusada de cometer crime eleitoral.

Caso a Justiça Federal determine que ele fique no Rio, Guimarães deverá ser transferido para o presídio de Bangu 8 (zona oeste), destinado a presos com o ensino superior completo e onde estão seu pai e seu tio, o deputado estadual Natalino Guimarães (sem partido). Eles são acusados de chefiar a Liga da Justiça.

Outro lado

O advogado de Guimarães, Flávio Ferreira, afirmou nesta quinta-feira que seu cliente tem diploma superior, mas disse não saber em qual universidade. Ferreira disse acreditar que seu cliente é formado em psicologia.

Outras duas pessoas, ainda não identificadas, foram detidas com Guimarães nesta manhã. Segundo Neves, os detidos são suspeitos de colaborar com a Liga da Justiça, mas não há acusação nem flagrante contra eles. Os dois permaneciam detidos na sede da Polícia Civil do Rio, na Lapa (centro), até às 19h30 desta quinta-feira.

 

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