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Cotidiano
22/09/2008 - 11h34

Aluno morre após ser espancado em CEU na zona sul de São Paulo

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RICARDO WESTIN
da Folha de S.Paulo

Um adolescente de 14 anos morreu após ter sido espancado por três colegas no CEU Vila Rubi, no Grajaú (zona sul de São Paulo). A família do adolescente diz que ele foi agredido dentro da escola. Na versão da diretoria, a briga ocorreu do lado de fora. O caso está sendo investigado pela polícia.

A agressão ocorreu no último dia 3, uma quarta-feira. Luiz Rodrigo de Souza Rocha saía da escola quando foi cercado por três estudantes --tinham 11, 12 e 14 anos, de acordo com colegas. O jovem levou vários chutes, principalmente nas costas.

Luiz Rodrigo não voltou à escola naquela semana. Na segunda seguinte, foi levado ao Hospital Estadual do Grajaú com dor nas costas. Os exames não apontaram problema.

As dores, porém, não passaram, e ele voltou ao hospital. Como antes, os médicos não encontraram nada grave.

Na sexta à noite, sem conseguir mexer as pernas e com dificuldade para falar, Luiz Rodrigo foi levado numa ambulância, pela última vez, ao Hospital Estadual do Grajaú. Morreu naquela noite, nove dias após ter sido atacado. A missa de sétimo dia foi rezada na sexta passada.

O IML (Instituto Médico Legal) analisou o corpo e emitirá um laudo sobre a causa da morte até o final de outubro.

A família acusa o hospital e a escola de negligência. Segundo a faxineira Oenes Souza, 39, mãe do adolescente, os médicos não se preocuparam com a gravidade do caso. A direção do hospital responde que o atendimento prestado "foi correto".

No caso do CEU, a família afirma que a diretoria não poderia ter permitido o espancamento. "Sabe o que me disseram? "Não foi aqui dentro. Não temos nada com isso. Só lamentamos, sentimos muito'", conta a mãe.

A Secretaria Municipal da Educação, responsável pelos CEUs (centros educacionais unificados), não respondeu aos telefonemas da Folha.

Luiz Rodrigo era o mais velho de quatro filhos. Estudava na sexta série, com o irmão de 13 anos, Vinícius. Foi reprovado duas vezes, porque se interessava mais pelo futebol que pelos estudos --sonhava ser jogador. Segundo a família, não se envolvia em confusões.

A briga, na versão de Vinícius, ocorreu por um mal-entendido. Os três agressores haviam sido denunciados à diretoria por roubo de materiais do CEU para vendê-los a um ferro-velho. Os jovens acreditavam que o delator havia sido Luiz Rodrigo. Segundo o irmão, quem fez a denúncia foi, na realidade, outro Luiz.

"Tenho medo de voltar para a escola", conta Vinícius. Desde o dia da briga, nem ele nem o irmão de 11 anos, Kléber Eduardo, voltaram ao CEU Vila Rubi. O caçula da família, Mário, 5, estuda em outra escola.

"Eu achei que o CEU iria ser bom para os meus filhos, por causa da piscina, das quadras e das atividades. Foi o maior erro da minha vida ter permitido a transferência deles", diz a mãe.

A família afirma que, assim que receber o laudo do IML, pretende processar a escola e o hospital.

 

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