Justiça decreta prisão de três suspeitos de participar de chacina em Guaíra (PR)
Colaboração para a Folha Online
da Agência Folha, em Curitiba e Foz do Iguaçu
Três suspeitos de participar da chacina que deixou 15 pessoas mortas em Guaíra (PR), município próximo à fronteira com o Paraguai, tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça. A Sesp (Secretaria de Estado da Segurança Pública) diz acreditar que o crime foi motivado pela disputa pelo tráfico de drogas.
Dos mortos na chacina, ocorrida na tarde de segunda-feira (22), apenas dois não tinham passagem pela polícia. Oito pessoas ficaram feridas na ação. Os nomes das vítimas e dos suspeitos de terem cometido o crime não foram divulgados.
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Cerca de 200 agentes das polícias Civil, Militar e Federal atuam na região à procura dos suspeitos. A Sesp estima que ao menos cinco pessoas participaram dos assassinatos. Eles teriam fugido de barco pelo rio Paraná para o país vizinho logo após o crime. Por isso, o governo do Paraná solicitou ajuda da polícia paraguaia para prender os suspeitos.
De acordo com o secretário da Segurança do Paraná, Luiz Fernando Delazari, os criminosos chegaram ao local, na Vila Santa Clara, e procuravam por um homem conhecido como Polaco, que já cumpriu pena por trafico de drogas e que estaria devendo R$ 4.000 para a quadrilha. Ele também já teria ordenado o assassinato de um traficante rival.
O secretário afirma que, em um dos barracos, foram encontrados Polaco e mais duas mulheres --todos acabaram mortos. "Forçaram o Polaco a ligar para seus comparsas e pedir que fossem a um galpão próximo ao barraco e que provavelmente era usado para o tráfico de drogas. À medida que iam chegando ao galpão, eles eram rendidos e amarrados pelos assassinos. Foram todos executados com tiros de [espingarda] calibre 12, 9 milímetros e [revólver calibre] 38", disse Delazari.
Rota do tráfico
A região de Guaíra é a nova rota adotada por contrabandistas e traficantes de drogas e armas. O movimento é constatado depois que a fiscalização foi intensificada na chamada Tríplice Fronteira, entre Brasil, Argentina e Paraguai, na região de Foz do Iguaçu (640 km de Curitiba).
A nova rota dos criminosos foi adotada há mais de dois anos, desde que a aduana brasileira na ponte da Amizade, que liga Foz e Ciudad del Este, passou a fiscalizar 100% dos produtos que deixam o Paraguai.
"Os criminosos estão transferindo aquele comércio ilegal para Guaíra por causa do aperto na ponte da Amizade", diz o secretário da Segurança do Paraná, Luiz Fernando Delazari.
Entre setembro e agosto, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) fez duas apreensões de armas em Guaíra que seguiriam para o Rio. No dia 7 deste mês, dois homens foram presos com 14 pistolas e uma metralhadora, compradas no Paraguai. Em agosto, a PRF interceptou um carregamento de uma tonelada de maconha e quatro metralhadoras, que também iriam para o Rio.
Na semana passada, policiais federais da delegacia de Guaíra apreenderam duas carretas com 40 mil pacotes de cigarros contrabandeados do Paraguai. Em abril deste ano, uma operação da Secretaria da Segurança e da Polícia Federal desarticulou uma quadrilha de 47 pessoas envolvidas no contrabando de cigarros --44 eram policiais (35 militares e nove civis).
A delegacia da PF em Guaíra toca mais de 800 inquéritos relacionados a casos de contrabando e tráfico de armas e drogas nos últimos três anos.
Devido ao intenso comércio ilegal de cigarros, a Justiça Federal em Umuarama (580 km de Curitiba) tem aberto inquéritos para apurar redes de corrupção que contam com a cobertura de policiais e políticos de municípios da região.
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