Suspeito de chacina em Guaíra (PR) queria vingar morte de filho, diz secretaria
Colaboração para a Folha Online
da Agência Folha
Além da disputa pelo tráfico de drogas na região, um dos motivos que teriam provocado a chacina que deixou 15 pessoas mortas segunda-feira (22) em Guaíra (PR), cidade próxima à fronteira com o Paraguai, seria a vingança da morte do filho de um suspeito. Segundo a Sesp (Secretaria de Estado da Segurança Pública), Jair Correa teve o filho assassinado pelo traficante Jocimar Marques Soares, conhecido como Polaco e um das vítimas da chacina.
Correia teve a prisão provisória decretada nesta terça-feira, juntamente com outro filho dele, Gleison Correa, e Ademar Fernando Luis, outro suspeito pelas mortes.
Das 15 vítimas, apenas duas não tinham passagem pela polícia. Entre os mortos estão dois filhos adolescentes de Polaco. Outras oito pessoas ficaram feridas na ação.
| Arte/Folha Online |
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Cerca de 200 agentes das polícias Civil, Militar e Federal atuam na região à procura dos suspeitos. A suspeita é de que eles teriam fugido de barco pelo rio Paraná para o país vizinho logo após o crime. Por isso, o governo do Paraná solicitou ajuda da polícia paraguaia para prender os suspeitos.
De acordo com o secretário da Segurança do Paraná, Luiz Fernando Delazari, os criminosos chegaram ao local, na Vila Santa Clara, e procuravam por Polaco, que já cumpriu pena por tráfico de drogas. Ele também estaria devendo R$ 4.000 para a quadrilha de que, segundo a Sesp, Correa faz parte.
O secretário afirma que, em um dos barracos, foram encontrados Polaco e mais duas mulheres --todos acabaram mortos. "Forçaram o Polaco a ligar para seus comparsas e pedir que fossem a um galpão próximo ao barraco e que provavelmente era usado para o tráfico de drogas. À medida que iam chegando ao galpão, eles eram rendidos e amarrados pelos assassinos. Foram todos executados com tiros de [espingarda] calibre 12, 9 milímetros e [revólver calibre] 38", disse Delazari.
Rota do tráfico
A região de Guaíra é a nova rota adotada por contrabandistas e traficantes de drogas e armas. O movimento é constatado depois que a fiscalização foi intensificada na chamada Tríplice Fronteira, entre Brasil, Argentina e Paraguai, na região de Foz do Iguaçu (640 km de Curitiba).
A nova rota dos criminosos foi adotada há mais de dois anos, desde que a aduana brasileira na ponte da Amizade, que liga Foz e Ciudad del Este, passou a fiscalizar 100% dos produtos que deixam o Paraguai.
"Os criminosos estão transferindo aquele comércio ilegal para Guaíra por causa do aperto na ponte da Amizade", diz o secretário da Segurança do Paraná, Luiz Fernando Delazari.
Entre setembro e agosto, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) fez duas apreensões de armas em Guaíra que seguiriam para o Rio. No dia 7 deste mês, dois homens foram presos com 14 pistolas e uma metralhadora, compradas no Paraguai. Em agosto, a PRF interceptou um carregamento de uma tonelada de maconha e quatro metralhadoras, que também iriam para o Rio.
Na semana passada, policiais federais da delegacia de Guaíra apreenderam duas carretas com 40 mil pacotes de cigarros contrabandeados do Paraguai. Em abril deste ano, uma operação da Secretaria da Segurança e da Polícia Federal desarticulou uma quadrilha de 47 pessoas envolvidas no contrabando de cigarros --44 eram policiais (35 militares e nove civis).
A delegacia da PF em Guaíra toca mais de 800 inquéritos relacionados a casos de contrabando e tráfico de armas e drogas nos últimos três anos.
Devido ao intenso comércio ilegal de cigarros, a Justiça Federal em Umuarama (580 km de Curitiba) tem aberto inquéritos para apurar redes de corrupção que contam com a cobertura de policiais e políticos de municípios da região.
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