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Cotidiano
24/09/2008 - 11h25

Adolescente que escapou da chacina no PR foi salva pelo marido

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da Agência Folha, em Guaíra

Mãe de um bebê de um ano e sete meses, uma adolescente de 16 anos, considerada a principal testemunha da chacina de Guaíra, disse à Folha que foi seu marido, o traficante Robert Ramom Guedes Rios, 35, que salvou sua vida, a da filha e a de uma outra criança de nove anos. Os três conseguiram fugir do local ao pular uma janela.

"Ele sempre dizia que morreria pela minha filha. Quando viu que iam matá-la, gritou e jogou a menina no chão. Mesmo com um tiro no pescoço, ele agarrou um deles. Na confusão, peguei a nenê e pulei pela janela do depósito", disse. Com ela, um garoto de nove anos também fugiu. Ele conhecia alguns dos suspeitos.

Arte/Folha Online

A adolescente disse que tem familiares na região de Guaíra, mas há um ano morava com Rios na favela da Rocinha (RJ). Há duas semanas voltaram ao Paraná. "Ele veio resolver uns problemas nos carregamentos para o Rio de Janeiro. Ele me disse que iríamos ficar um mês por aqui. Eu vim junto para visitar os parentes."

Segundo ela, os agressores estavam "fora de si". Um filho adolescente de Jocemar Marques Soares, o Polaco, teve uma orelha cortada por um dos agressores, que a colocou no bolso. O adolescente, uma irmã de 20 anos e o próprio Polaco foram mortos na chacina.

O garoto de nove anos que depôs sobre o crime é filho de um pedreiro que estava a trabalho na chácara e também acabou morto.

A garota disse não estar envolvida com tráfico. "Ele [Robert] sempre me deixou fora disso." Sob proteção da polícia e do Conselho Tutelar, ela teme ser morta. "Não posso voltar para a Rocinha. Se eu ficar aqui, meus parentes, que nada têm a ver com drogas, podem sofrer as conseqüências", disse.

Fingimento

Jaime (nome fictício), 26, não teve tempo de fugir pela janela quando começou o tiroteio. Sobreviveu ao se esconder sob o corpo de uma mulher morta, passar sangue no rosto e fingir-se de morto. Ele foi um dos quatro sobreviventes que, depois de socorridos, fugiram para evitar a polícia. Localizado ontem pela manhã, foi encaminhado à delegacia para prestar depoimento.

Antes de depor, Jaime disse à Folha que foi à chácara para buscar uma bomba d'água a pedido de Polaco. "Fui recebido a coronhadas no rosto e na cabeça", relatou. Jaime disse que vive de "bicos" e que não tem envolvimento com drogas. Segundo a polícia, ele não tem passagem.

A Folha apurou, ontem, que foi a partir do depoimento de Jaime que a Polícia Civil do Paraná chegou ao nome do terceiro agressor, Cleisson Correa, filho de Jair Pereira Correa, o Neno, que é apontado como o mandante dos crimes.

Segundo o delegado Pedro de Lucena, quatro dos sobreviventes da chacina já ouvidos pela Polícia Civil não deixam dúvidas sobre os autores do crime.

Crime

A chacina é a maior já registrada no Estado --além dos 15 mortos, oito pessoas ficaram feridas. A principal suspeita é que a chacina tenha sido causada por conta de uma disputa entre quadrilhas brasileiras de traficantes de drogas, cigarros e produtos eletrônicos que atuam na região.

A região, no noroeste do Paraná com o Paraguai, é a nova rota adotada por contrabandistas e traficantes de drogas e armas.

De acordo com o secretário da Segurança, Luiz Fernando Delazari, os criminosos chegaram ao local, na Vila Santa Clara, e procuraram por Polaco, que já cumpriu pena por trafico de drogas e que estaria devendo R$ 4.000 para a quadrilha. Ele também já teriam ordenado o assassinato de um traficante rival.

Pressionado, Polaco chamou as outras vítimas até o local onde ocorreu a chacina.

Ontem, a Justiça decretou a prisão de três suspeitos.

 

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