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Cotidiano
24/09/2008 - 13h19

Filho de vereador acusado de integrar milícia no Rio se cala em interrogatório

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Colaboração para a Folha Online

O ex- policial militar Luciano Guinâncio Guimarães, filho do vereador Jerônimo Guimarães Filho, o Jerominho, usou do direito de permanecer calado durante seu interrogatório realizado nesta quarta-feira no Tribunal de Justiça do Rio.

Ele foi preso no último dia 18 em Barbacena (MG), acusado de integrar a milícia intitulada Liga da Justiça, que atua na zona oeste do Rio.

Luciano Guimarães responde ação penal juntamente com mais dois familiares: o tio, deputado estadual Natalino José Guimarães; e o pai, vereador Jerominho. Além deles, outra cinco pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público Estadual.

Eles são acusados de exigir dinheiro de motoristas de vans e kombis, comerciantes e moradores dos bairros de Campo Grande, Guaratiba, Paciência, Cosmos e Santa Cruz, em troca de "proteção" contra a atuação de criminosos da região.

O filho do vereador também está entre os 18 acusados de serem os autores da chacina na favela do Barbante, em Campo Grande (zona oeste do Rio), no dia 19 de agosto. Ele teria participado pessoalmente das mortes.

Oito moradores da favela, que não tinham envolvimento com crimes, foram assassinados por homens encapuzados e armados de fuzil, que entraram na favela e atiraram aleatoriamente, atingindo os moradores, de acordo com o inquérito da 35ª DP.

A polícia concluiu que os responsáveis pela chacina são integrantes da milícia Liga da Justiça, composta, segundo o delegado Marcus Neves, por policiais e bombeiros da ativa e da reserva.

Segundo Neves, os milicianos forjaram uma invasão de traficantes à favela --uma das áreas de atuação da Liga da Justiça-- para reconquistar a confiança dos moradores. Poucas semanas antes do crime, o grupo miliciano perdeu o controle de ao menos duas favelas da zona oeste para traficantes.

Família

A irmã de Guimarães, a candidata a vereadora do Rio Carminha Jerominho (PT do B) foi presa pela Polícia Federal no dia 29 de agosto, junto com mais dez pessoas. De acordo com a PF, a campanha de Carminha teria sido financiada por atividades ilegais da Liga da Justiça.

Os milicianos, entre eles policiais, obrigavam moradores da zona oeste a votar e fazer campanha pela candidata, segundo a PF.

 

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