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Cotidiano
24/09/2008 - 22h26

Polícia diz ter intensificado investigação sobre chacina em Guaíra (PR)

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Colaboração para a Folha Online

A Polícia Civil do Paraná afirmou nesta quarta-feira que intensificou as buscas pelos autores da chacina que deixou 15 pessoas mortas em um sítio em Guaíra. Três homens já foram identificados como suspeitos pelas mortes, ocorridas na última segunda-feira (22).

Arte/Folha Online

A Sesp (Secretaria de Estado da Segurança Pública) criou uma força-tarefa composta por 200 policiais civis e militares de Curitiba, Guaíra, Toledo, Cascavel e cidades vizinhas. As buscas são realizadas por terra, ar e pelo Lago de Itaipu, segundo a Sesp. Participam da operação também agentes da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal.

"Esperamos prender os suspeitos nos próximos dias, para que eles respondam pelos crimes que cometeram", afirmou o delegado-chefe de Guaíra, Pedro Lucena.

Reconstituição

A Polícia Civil realizou nesta quarta-feira a reconstituição da chacina. Duas testemunhas participaram da recriação da cena do crime --uma adolescente de 16 anos e um garoto de 9 anos-- além de um homem que representou o traficante Robert Ramom Guedes Rios, 35, marido da testemunha, que está entre os mortos. A moça e o menino sobreviveram ao ataque dos criminosos.

A reconstituição foi realizada no sítio na Vila Santa Clara, onde o crime ocorreu. A polícia reproduziu somente a cena do interior da casa, onde as duas testemunhas e o homem participaram.

A adolescente, mãe de um bebê de um ano e sete meses, considerada pela polícia a principal testemunha da chacina, disse à Folha que foi seu marido que salvou sua vida, a da filha e a do garoto de 9 anos. Os três conseguiram fugir do local ao pular uma janela.

De acordo com o relato da garota, Rios gritou e jogou o bebê no chão quando viu que ambos seriam mortos pelos criminosos. Ele chegou a agarrar um deles, mesmo baleado no pescoço. A adolescente pegou o bebê e pulou pela janela do local, durante o tiroteio. O mesmo aconteceu com o garoto, que conhecia alguns dos suspeitos.

A polícia reconstituiu essa cena para esclarecer dúvidas sobre os fatos que ocorreram dentro da casa. Um relatório sobre a reconstituição será anexado ao inquérito.

Foto

Três homens já foram identificados como suspeitos pela chacina --Jair Pereira Correa, 52, o Neno, Ademar Fernando Luiz, 27, o Do Bleike, e Cleisson Correia, filho de Neno. Eles tiveram a prisão decretada pela Justiça e estão sendo procurados pela polícia no Paraná e também no Paraguai --Guaíra fica na divisa com o país. A foto de Luiz foi divulgada pela delegacia de Guaíra para ajudar na localização do suspeito.

Divulgação
Ademar Fernando Luiz, 27, suspeito de participar da chacina que deixou 15 mortos no Paraná
Ademar Fernando Luiz, 27, suspeito de participar da chacina no Paraná

De acordo com a polícia, quatro pessoas ficaram feridas na chacina e foram relacionadas como testemunhas do caso. Duas delas já foram ouvidas pela polícia e reconheceram os suspeitos pelas fotografias.

Outras duas vítimas, que ainda não têm condições de depor, permanecem internadas. Elas também devem ser ouvidas pela polícia.

Chacina

A chacina é a maior já registrada no Estado, com 15 mortos. A principal suspeita é que a chacina tenha sido causada por conta de uma disputa entre quadrilhas brasileiras de traficantes de drogas, cigarros e produtos eletrônicos que atuam na região.

Os criminosos teriam fugido de barco pelo rio Paraná para o Paraguai logo após o crime.

Na terça-feira (23), o secretário da Segurança, Luiz Fernando Delazari, afirmou que o crime foi "um acerto de contas entre traficantes". O governo do Paraná solicitou ajuda da polícia paraguaia para prender os suspeitos.

De acordo com o secretário, os criminosos chegaram ao local, na Vila Santa Clara, e procuravam por um homem conhecido como Polaco, que já cumpriu pena por trafico de drogas e que estaria devendo R$ 4.000 para a quadrilha. Ele também já teriam ordenado o assassinato de um traficante rival.

O secretário afirma que, em um dos barracos, foram encontrados Polaco e mais duas mulheres --todos acabaram mortos. "Forçaram o Polaco a ligar para seus comparsas e pedir que fossem a um galpão próximo ao barraco e que provavelmente era usado para o tráfico de drogas. À medida que iam chegando ao galpão, eles eram rendidos e amarrados pelos assassinos. Foram todos executados com tiros de [espingarda] calibre 12, 9 milímetros e [revólver calibre] 38", disse Delazari.

 

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