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Cotidiano
27/09/2008 - 14h32

Parentes de vítimas do vôo 1907 cobram respostas; relatório será divulgado no fim deste ano

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da Folha Online

Atualizado às 16h34

Passados dois anos do acidente envolvendo um Boeing da Gol e um jato Legacy da empresa aérea ExcelAire, os parentes das vítimas ainda cobram respostas sobre a causa do acidente. Elas só devem conhecer o que de fato provocou a batida entre os dois aviões em pleno vôo --que resultou na morte de 154 ocupantes no Boeing no dia 29 de setembro de 2006--- no final deste ano, segundo a FAB (Força Aérea Brasileira).

O acidente é o segundo maior da história do gênero no país. A queda de um Airbus-A320 da TAM que fazia o vôo 3054 no dia 17 de julho de 2007 em São Paulo matou 199 pessoas e detém, tristemente, a marca de maior tragédia aérea já ocorrida no país até hoje.

Jorge Araújo/Folha Imagem
Choque entre avião da Gol e jato Legacy matou 154 e espalhou destroços pela mata
Choque entre avião da Gol e jato Legacy matou 154 e espalhou destroços pela mata

O Boeing da Gol que fazia o vôo 1907 ia de Manaus (AM) para o Rio com previsão de fazer uma escala em Brasília (DF). Ao sobrevoar a região Norte do país ele bateu em um Legacy da empresa de taxi aéreo dos Estados Unidos. Os destroços do Boeing caíram em uma mata fechada, a 200 km do município de Peixoto de Azevedo (MT). Mesmo avariado, o Legacy, que transportava sete pessoas, conseguiu pousar em segurança em uma base na serra do Cachimbo (PA).

O acidente expôs a a fragilidade do controle aéreo brasileiro. O assunto deflagrou ainda aberturas de CPI"s (Comissões Parlamentares de Inquéritos) e investigações da Polícia Federal e Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos).

Em comunicado divulgado ontem, o Cenipa descarta que falha em equipamentos de comunicação e vigilância no controle do tráfego aéreo brasileiro tenham relação com o acidente.

Além de não terem resposta a respeito do que teria motivado o acidente --o relatório a cargo do Cenipa servirá para esclarecer o que de fato ocorreu-- os familiares ainda convivem com a falta de resolução processo na Justiça, que deverá se arrastar por um longo tempo, e os acordos com a empresa aérea.

Angelita De Marchi, presidente da Associação de Familiares e Amigos das Vítimas do Vôo 1907, afirmou estar desacreditada nas promessas de prazos para entrega do relatório final. "Definitivamente não é uma prioridade. Passamos mais de 750 dias sem uma conclusão", afirmou.

O Legacy trafegava em altitude diferente da prevista no plano de vôo.O que até agora não se sabe é o motivo pelo qual o transponder do jato estava inoperante --o transponder aciona o TCAS (sistema anticolisão), que avisa os pilotos, visual e sonoramente, em caso de aproximação perigosa de qualquer objeto. A falha técnica foi descartada e os pilotos Joe Lepore e Jan Paladino disseram não terem feito nenhuma ação intencional para a interrupção do funcionamento do transponder. A FAB nega falhas em seu sistema de controle do tráfego aéreo.

Criminal

Os parentes das vítimas também aguardam por resposta da Justiça, na esfera criminal (responsabilidade sobre as causas).

Murilo Mendes, da Justiça Federal em Mato Grosso sediado em Sinop, recentemente intimou testemunhas do acidente. Em ofício divulgado no dia 19 deste mês, ele criticou a Justiça dos Estados Unidos, que não ouviu testemunhas que residem no país alegando não poder arcar com gastos para as diligências.

Ante a isso, segundo o juiz, as perguntas serão formuladas, traduzidas e encaminhadas para os EUA para resposta dos pilotos. Um outra testemunha que reside na Suíça e que foi arrolada pela defesa dos controladores de tráfego aéreo também receberá as perguntas.

Mendes afirma não haver um prazo conhecido para início dos depoimentos. O processo da Gol é um em meio aos cerca de 7.000 de responsabilidade do magistrado na comarca.

Acordos

A Justiça dos Estados Unidos decidiu em julho que a as ações relativas à queda do vôo Gol 1907 devem ser conduzidas no Brasil.

A defesa das famílias anunciou que iria recorrer, mas a própria presidente da associação relata não ter muita esperança em relação a uma reconsideração por parte da Justiça.

Segundo a Gol, das 91 famílias que procuraram a empresa na expectativa para indenizações, 76 conseguiram chegar acordos. A empresa informa que foram beneficiadas 231 pessoas, entre pais, mães, filhos, mulheres e maridos dos mortos.

Homenagens

Para lembrar os dois anos da tragédia, a associação prepara atividades em algumas partes do país. Uma delas deverá ocorrer no Jardim Botânico, em Brasília (DF), na tarde de domingo (28). Parentes preparam um ato ecumênico.

De Marchi afirma que famílias requisitaram a Gol passagens aéreas para participar do ato. A Gol informou, em nota, que "todas as homenagens públicas às vítimas do acidente e a seus parentes já foram realizadas pela companhia, que preservará a lembrança destas pessoas de forma respeitosa, como sempre o fez".

 

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