Instituto de Criminalística já concluiu laudo sobre acidente da TAM, diz associação
da Agência Brasil
O laudo do Instituto Nacional de Criminalística sobre o acidente com o vôo JJ3054 da TAM já foi concluído e o delegado responsável pelo inquérito policial, em andamento em São Paulo, prometeu apresentar suas conclusões ao Ministério Público Federal na capital paulista no próximo mês, segundo Roberto Gomes, irmão de uma das vítimas do acidente.
No encontro realizado neste sábado com parentes e amigos das vítimas da tragédia, que ocorre em Porto Alegre (RS), o delegado Antônio Carlos Barbosa prometeu concluir seu relatório durante os dias de férias que pretende tirar a partir do início do próximo mês, de acordo com Gomes.
Segundo ele, que é assessor de imprensa da Associação dos Familiares das Vítimas do Vôo JJ 3054, o delegado reafirmou aos parentes das vítimas que embora possam não ter sido as principais causas do acidente, as condições da pista do aeroporto de Congonhas e o descumprimento de normas de segurança contribuíram para que o acidente com o Airbus-A320.
Na noite do dia 17 de julho do ano passado, o Airbus da TAM tentou aterrissar em Congonhas, não conseguiu, e se chocou com um depósito da companhia aérea do outro lado da avenida Washington Luís, em frente à pista principal do aeroporto.
Normas descumpridas
Uma das normas descumpridas é a proibição de que aviões com problemas no reverso pousassem em Congonhas em dias de chuva.
Ainda de acordo com Gomes, o delegado confirmou informação divulgada pela revista "IstoÉ" deste fim de semana. A publicação diz que teve acesso a relatório confidencial em que técnicos do Instituto de Criminalística concluem que, depois de o piloto tentar pousar a aeronave, o sistema automático de frenagem do avião teria respondido de forma "inesperada", conseqüência da não-abertura dos freios aerodinâmicos durante o pouso.
Gomes, no entanto, afirmou que, a partir das informações registradas pelo computador de bordo do avião, o delegado sugeriu que os freios aerodinâmicos teriam deixado de abrir devido ao posicionamento assimétrico das manetes.
Pelo registro do computador, no instante do pouso uma das manetes estava em posição de acelerar e a outra em ponto morto. Dessa forma, houve uma descompensação que impulsionou o avião para o lado esquerdo da pista.
"A pergunta é até que ponto esse registro está correto e até que ponto pode ter havido uma interpretação equivocada por parte do computador", questionou Gomes.
Na última reunião dos parentes das vítimas, realizada no mês passado em Brasília, o perito do Instituto de Criminalística, Antônio Nogueira, afirmou que não era possível dizer que as manetes das aeronaves estivessem na posição errada no momento do pouso.
"Com o que sobrou do mecanismo das manetes, não dá para determinar a posição delas". Na ocasião, o perito disse preferir não fazer suposição sobre se houve ou não falha do piloto.
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